Todos leram, mas fingiram que estava tudo certo. O resultado está ai. A população desta cidade que respira basquete está perdendo respeito por um de seus únicos mitos
Escrevi duas vezes sobre Hélio Rubens. Nas duas, exaltei-o. É, para honra francana, um dos poucos mitos brasileiros do esporte internacional, nascido aqui. De carreira longeva nas quadras de basquete, ganhou tudo o que disputou. Repetiu como técnico.
Como dizia Fiori Gigliotti, comunicador de futebol da Rádio Bandeirantes de São Paulo, também ele, um mito, “o tempo passa”. O que eu temia, e expressei em textos anteriores, aconteceu. Hélio, e seus jogadores, foram vaiados a plenos pulmões no Poliesportivo, quinta-feira.
Foi triste ouvi-lo dizer a seus atletas, em um dos “tempos” da partida, que o “Minas estava melhor estruturado que nós”. E foi ainda mais triste ouvir a torcida que mais entende de basquete no País, vaiar e vaiar a falta de entrosamento, os lances perdidos, as passes errados, os rebotes conquistados por atletas rivais de menor estatura e menor envergadura.
Hélio não tem mais o comando de seu grupo. Atletas de ponta não esquecem, de um momento a outro, como é que se atua em alta performance. Não se tornam pernas-de-pau, de repente. Vão ameaçar, vão jurar que estou errado ou tentar desdizer-me, “pois são profissionais que honram a camisa que vestem e o salário que ganham”. Podem tentar, mas reafirmo: o grupo não quer mais o comando de Hélio Rubens, tenha isso mérito ou não. Vitor Benite e Dedé sinalizaram e saíram. Até Rogério Klafke, também uma referência e quase um outro filho para Hélio, não pensou duas vezes e foi embora. Não falam sobre. Dizem isso e aquilo, mas não a verdade. Não dá para se indispor com um mito, com uma torcida quase centenária.
Recomendei que Hélio pensasse e decidisse parar. Pedi não apenas como jornalista, mas como torcedor que teve a honra de vê-lo jogar, de representar com honra e técnica sem igual o nome desta cidade e do Brasil; e, até, de poder conviver com ele e seus ensinamentos, ainda jogando, em Jogos Abertos, mas ele sempre determinado. Não me é fácil, portanto, vê-lo sofrendo as agruras de sua decisão de não parar. Sei que sua família gostaria de tê-lo em casa, finalmente disponível para projetos tantas vezes protelados, finalmente curtindo em paz, o que sua carreira mitológica lhe proporcionou. Mas não.
Sei que Hélio se torna leão quando o cutucam. Vai querer provar de novo, e de novo, e tantas vezes quantas julgar necessário, seu valor e seu poder de superação – vivenciando outra vez o conceito que tornou referencial em sua vida..Torço, porém, para que repense. Não o sei masoquista e, por isso penso que deva preservar o respeito e o carinho que a torcida desta cidade ainda lhe dedica.
Sei que muitos vão ler este texto. Tomara que não finjam, de novo, que está tudo certo.
CARTAS
Dezenas e dezenas de cartas sobre o Franca Basquete e sua má fase foram postadas no portal GCN.net ontem, após a terceira derrota sucessiva da equipe, pelo NBB. A média do que pensam os torcedores está nos comentários que destaco agora, assinados pelos leitores Nilton, o primeiro; e Eurípedes, o segundo:
(...) O presidente já provou que não tem competência para o cargo. O técnico Hélio Rubens, parece, perdeu autoridade sobre o elenco. Não tem a equipe nas mãos. O time (aparenta) estar rachado. A preparação fisica do time está péssima, mas também, o preparador fisico é virtual. É brincadeira! A diretoria executiva e o conselho deliberativo calam-se, e, pior, não tomam nenhuma atitude para mudar. Enquanto isso, estamos sendo humilhados pelas outras equipes. Infelizmente, estão acabando com instituição FBC.”
“(...) nas entrevistas, Helinho só faz minimizar o problema: vamos reagir, temos de conversar etc... mas, durante o jogo, (tem tido) atuações péssimas. Será que os jogadores leem os comentários da torcida, que são publicados (neste Comércio)? Será que, realmente, estão preocupados com a situação? Me parece que não estão dando a mínima para as derrotas. Estamos pagando o preço da falta de organização da pseudo-diretoria do (clube), que contrata reforços na última hora e ainda perde jogadores vitais. (O que será que) esperavam? Porque não trouxeram os americanos antes do início do campeonato paulista? E o técnico Hélio Rubens? Vai continuar com sua cabeça dura e teimosia, também minimizando as derrotas e querendo que a torcida espere que aconteça um milagre? Podem se preparar: (este) NBB vai ser o maior vexame da história do basquete francano.”
E HOJE
Hoje tem jogo. Duro. Duríssimo. Apesar da crise, certamente a torcida vai comparecer em peso, tentando, de novo, cumprir seu papel de sexto jogador. O coração, no entanto, está pesado, batendo descompassado, descrente. As vaias de quinta-feira ainda ressoam.
MENSAGEM
Rapazes. Quando entrarem em quadra mirem os regis- tros das tantas conquistas do basquete de Franca, mostradas nos displays do ‘Pedrocão’. Transformem a crise de hoje em oportunidade. Da forma que a coisa vai, seus nomes não serão nem lembrados.
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br