11 de julho de 2026

Autoridades se calam sobre prisões de policiais rodoviários


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INVESTIGAÇÕES - Imagem de arquivo mostra veículo da Corregedoria deixando a base da Polícia Rodoviária de Franca

Autoridades que investigam as denúncias de corrupção envolvendo policiais rodoviários mantêm silêncio em torno do caso. Os 17 militares foram presos acusados de receber propinas de guincheiros como uma espécie de “comissão” por recolhimento de veículos. A Corregedoria da Polícia Militar, que prendeu os investigados na sede do órgão da capital para averiguações, repetiu a informação dada inicialmente de que foi aberto procedimento para apuração e que todos os envolvidos ficarão recolhidos por cinco dias. “A Corregedoria acompanha o caso e determinou o recolhimento dos policiais envolvidos. Demais dados serão fornecidos oportunamente, para não atrapalharem as investigações.”

Os 17 PMs das bases da Polícia Rodoviária de Franca, Brodowski, Pedregulho e Orlândia foram levados presos temporariamente anteontem. A Corregedoria não revelou seus nomes. Mas o Comércio conseguiu identificar três policiais que, além de serem investigados pela suposta corrupção, devem responder a processos por porte ilegal de munição. Na quarta-feira, os soldados Carlos Eduardo da Silva Peres, 34, André Luís dos Santos, 36, e Alexandre Kellner Carvalho, 29, foram presos em flagrante por terem em suas casas e veículos particulares munições de revólveres calibre 38 e 22 sem autorização do comando da PM. Eles pagaram fiança de R$ 550, cada um, e foram liberados pela Polícia Civil. Ainda assim, foram detidos pela Corregedoria e levados para São Paulo, onde permanecem com o restante do grupo para prestar esclarecimentos sobre o caso dos guinchos. Na lista de prisões estão um sargento, quatro cabos e 12 soldados.

O ESQUEMA
As denúncias apontam para um possível envolvimento dos policiais com guincheiros que recolhem os veículos apreendidos nas rodovias da região e os levam para o pátio da Sitran, em Ituverava. Haveria, segundo as investigações, o pagamento de uma espécie de “caixinha” para aumentar o número de apreensões nas pistas. Somente em outubro, 194 veículos foram recolhidos ao pátio de Ituverava, segundo o DER (Departamento de Estrada e Rodagem).

As investigações tiveram início após a polícia receber denúncias de motoristas que tiveram seus veículos apreendidos. Eles reclamavam sobre os valores pagos e sobre excessos na fiscalização dos veículos. Escutas telefônicas teriam revelado a participação dos 17 policiais e três guincheiros.

Segundo fontes ligadas à polícia, os suspeitos receberiam um percentual do guincheiro, como uma espécie de “comissão”. Quanto maior o número de carros levados para o pátio de Ituverava, maior seria o valor recebido pelos proprietários dos guinchos e pelos policiais.

Hoje, uma pessoa que tem um carro apreendido numa rodovia em Franca tem de desembolsar, em média, R$ 319,78. Pela tabela do DER, veículos de até 1.500 quilos pagam R$ 119,28 de reboque mais R$ 4,01 por quilômetro rodado do guincho. Mas o DER determina que a quilometragem cobrada não exceda os 50 quilômetros. Ou seja, mesmo que a distância entre o ponto de recolha e o pátio ultrapasse os 50 quilômetros, o valor não será maior que R$ 319,78.