09 de julho de 2026

Franca de novos sabores


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Os números de nossa economia são taxativos. Estamos nos transformando cada vez mais em uma cidade prestadora de serviços. Nossas indústrias e nosso agronegócio continuarão importantes e necessários, com certeza, mas é fato incontestável que a participação dos serviços na formação de nosso PIB cresce a cada ano.

Nesse sentido, é interessante perceber como essa diversificação na base da economia reflete-se também na oferta mais variada de lazer e entretenimento. Aos poucos, os hábitos e costumes vão se transformando. Se um dia já fomos a cidade do bolota e do ‘espetim’, agora podemos experimentar sabores mais diversos. Mas não há substituição, o que existe é uma soma. A pluralidade dos grandes centros vai lentamente se apoderando da singularidade do pensamento provinciano e abrindo nossas mentes para o que há de melhor nesse mundo globalizado, ou seja, as diferenças entre povos e pessoas, aquilo que se bem aproveitado cria a unidade dinâmica de uma cidade, estado ou país.

A Avenida Paulo VI que o diga. Reportagem publicada pelo Comércio no domingo, 13/11, mostra que ela já é hoje uma das principais referências gastronômicas da cidade, oferecendo os mais variados pratos, desde hambúrguer, lanches, batatas recheadas e crepes até a mais variada cozinha internacional, passando por sabores da Itália, Japão e México.

E isso é muito bom para a cidade. Se quisermos transformar Franca em um importante centro urbano e econômico do país, é preciso abri-la às diferenças do mundo globalizado. As pessoas acostumadas aos grandes centros urbanos, geralmente homens e mulheres de negócios, estão sempre em busca da diversidade. Querem picanha no Japão e sushi em São Paulo. Buscam por tacos em Franca e ‘espetim’ em Hong Kong.

Faz parte do jogo. E Franca parece que está aprendendo a jogá-lo. Tanto os empreendedores que se lançam a esses novos desafios, como também os clientes e freqüentadores, que emprestam seu apetite e seu tempo a esses empreendimentos. Parece que estamos perdendo o medo dos sabores mais refinados. Ao descobri-los, nos encantamos e nos dispomos a novas experiências, o que vai abrindo cada vez mais o leque de opções de lazer e gastronomia em nossa cidade.

É claro que ainda falta muita coisa. Ainda precisamos de uma vida cultural mais ativa e intensa. Cinemas que tragam uma programação mais diversificada, com filmes que não obedeçam apenas às diretrizes holywoodianas. Precisamos também de outras possibilidades teatrais, que não se restrinjam ao excelente, mas insuficiente trabalho desenvolvido pelo Sesi.

Mas não podemos reclamar. Para uma cidade que até pouco tempo vivia em torno de uma única indústria e era bastante reservada e tradicional em termos de costumes, até que já melhoramos bastante.

Só falta agora um aeroporto à altura de nossas expectativas.