O tempo litúrgico do Advento é de vigilância, oração, análise e disposição interior para transformar o coração no desejo de ser semelhante ao presépio: ter um lugar para Jesus permanecer
Nos próximos quatro domingos a liturgia da Igreja nos ajudará a refletir e a preparar o nosso interior, tentando abrir o coração e as portas do mundo para que Jesus seja a ‘luz’ e renove a nossa esperança. Neste primeiro domingo do Advento o que Deus quer nos ensinar?
Primeira Leitura: Isaías 63
O povo de Israel se encontra no exílio, em Babilônia. Conserva, ainda gravada nos próprios olhos as cenas daquele terrível julho do ano 587 a.C: os soldados de Nabucodonosor destróem muralhas, os palácios do rei em chamas, o sangue das crianças e dos velhos correndo pelas ruas, mulheres fugindo com filhos nos braços...
Recolhidos em oração os israelitas exilados tomam consciência da causa das próprias desventuras: “Vós, Senhor, vos irritastes, porque pecamos contra vós... As nossas iniquidades no levaram longe como o vento... e nos deixastes à mercê dos nossos pecados”. Esta confissão se encerra com um grito de confiança: “E no entanto, Senhor, vós sois nosso pai, nós somos a argila da qual sois o oleiro, todos nós fomos modelados por vossas mãos”... A situação na qual acabou se encontrando o povo de Israel na Babilônia é uma imagem daquilo que acontece com todo aquele que se torna escravo do pecado.
Segunda leitura: 1 Coríntios 1
Paulo manifesta sua alegria diante do testemunho cristão revelado pela comunidade de Corinto. Expressa ação de graças a Deus e incentiva os cristãos à fidelidade ao Cristo. A comunidade de Corinto era formada por gente que não era sábia segundo a lógica do mundo, não era poderosa e não tinha prestígio social. Diz que a comunidade acolheu “a graça de Deus dada através de Jesus Cristo”; também diz que Jesus cumulou a comunidade “de todas as riquezas; da palavra e do conhecimento”; alegra-se ainda porque “o testemunho de Cristo tornou-se firme a tal ponto que não falta nenhum dom”. É também comunidade que está vigilante, à espera da “revelação de nosso Senhor Jesus Cristo”. Também nós esperamos a vinda do Senhor, sonhamos com novos céus e novas terras, onde reinem a justiça e o amor. Ao considerarmos nossa fraqueza, sentimos a tentação do desânimo e nos convencemos que não conseguiremos colaborar para a construção de um mundo novo.
Evangelho: São Marcos 13
O tema central é a “Vigilância” e fala da “noite”, que tem vários significados e perigos. Também o símbolo da escuridão que as vezes ou com freqüência cai sobre nós. Todos nós conhecemos momentos luminosos na nossa vida: quando jovens, desfrutando de ótima saúde, quando nos sentimos fortes, bonitos, simpáticos, quando temos uma profissão garantida e bem remunerada, quando nos sentimos estimados e todos nos procuram. Mais tarde, inevitavelmente, caem, para todos, as sombras do entardecer. Vêm chegando as noites da desventura, de infortúnio, da doença, da dor, da incompreensão, da velhice, da solidão. Ficamos então desnorteados, nos tornamos vítimas da aflição. São essas as horas durante as quais devemos vigiar e cultivar a confiança no Senhor que vem para iluminar todas as nossas noites. E o Senhor da casa: ele existe? Onde está? Ele vai voltar? O Senhor da casa é Jesus, evidentemente. Ele não partiu para sempre. Voltará. Ao abandonar este mundo deixou aos seus discípulos a missão de completar a obra por ele iniciada. Segundo suas próprias capacidades, cada um deles é chamado para desenvolver um ministério a serviço dos irmãos.
Como aguardar a vinda do Senhor? O cristão não espera passivamente a vinda do seu Senhor. Trabalha, se esforça, esperando que o Senhor faça surgir um mundo novo e colabora para construí-lo. O Senhor não avisa quando vai chegar.
Novena da Padroeira da Catedral
Na próxima terça, 29, terá início a solene novena dedicada à Imaculada Conceição, preparando o 8 de dezembro, dia da Padroeira. Estamos preparando os 100 anos da inauguração da nossa Catedral, em 2013. A nossa novena nesse ano será presidida por Bispos e Arcebispos do nosso País. Começa dia 29 de novembro, às 19h30. Vamos rezar e participar!
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br