11 de julho de 2026

Seis igrejas de Franca ainda mantêm viva a tradição dos sinos


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GIGANTE - Um dos setes sinos de aço da Catedral Nossa Senhora da Conceição, no Centro

Introduzidos na maioria das povoações colonizadas pelos cristãos europeus, ele já foram os responsáveis por anunciar as datas tristes e festivas, marcar procissões, casamentos e batizados, servir de alerta de perigo ou simplesmente marcar as horas. Atualmente, em Franca, estão presentes em apenas seis paróquias. São os tradicionais sinos de igreja, usados atualmente apenas para chamar os fieis para as missas.

Os carrilhões conjuntos de sinos estão espalhados pelas igrejas Nossa Senhora Aparecida (Capelinha), na Vila Aparecida; São Sebastião, na Estação; Santa Rita de Cássia, na Vila Industrial; Santo Antônio, na Cidade Nova, Nossa Senhora das Graças (esses aguardam conserto), também na Cidade Nova, e Catedral Nossa Senhora da Conceição, no Centro. A Diocese não tem dados precisos sobre a data de instalação ou o número dos sinos na cidade e região.

“Nos dias de festa, de procissão, em Corpus Christi, em louvor ao Santíssimo, os sinos repicam. É um modo festivo igual a soltar foguetes, desejar vivas, empunhar bandeirinhas”, diz o sacristão da Catedral, Antônio Modenesi, 75. Na Catedral. A Catedral tem o maior número de sinos da cidade: são sete de aço, acomodados na torre de 40 metros, mas apenas quatro tocam. Para chegar ao campanário que abriga os sinos é necessário subir 116 degraus. O sino central, que pesa uma tonelada, não toca mais porque o cabo arrebentou. Outros dois sinos menores, que estão na igreja desde sua construção, em 1805, também estão inativos desde a década de 80.

Modenesi lembra quando os sinos ainda eram de corda. “Eram dois. O do relógio batia as pancadas da hora. O outro nós chamávamos de sino de defunto porque só tocava para os enterros.”

Na década de 80, um médico francano chamado Antônio Crisis doou o novo carrilhão com cinco sinos. Junto com eles, foi instalado um sistema elétrico, que badala os instrumentos apenas com o apertar de um botão.

Na Capelinha, na Vila Aparecida, a tradição foi mantida. Os três sinos (dois deles estão avariados) ainda são tocados a corda pelo sacristão Antônio de Pádua Silva, 51. Diferentemente dos sinos da Catedral, eles ficam visíveis. O único acesso a eles, no entanto, é pela clausura, recinto permitido apenas aos religiosos.

O bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, da Diocese de Franca, diz que os sinos eram um eficaz instrumento de comunicação da época em não havia luz elétrica, microfone ou alto-falante. “Através do sino, era anunciada a vida da igreja e a vida da cidade em seus diferentes aspectos.” Dom Pedro defende a instalação de sinos em todas as novas igrejas erguidas na cidade.