O vazamento de óleo na bacia de Campos semana passada foi alvo de protestos de ambientalistas, o que é natural. A novidade é que a preocupação chegou ao Parlamento paulista por meio de questionamento do deputado estadual Vitor Sapienza (PPS), presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informação
Na sexta-feira, o deputado divulgou nota para dizer que a petroleira Chevron, empresa responsável pela extração, minimizou o fato “talvez apostando na omissão do Poder Público”. O problema merece atenção, segundo ele, em função da previsão de exploração do litoral paulista na área do pré-sal (bacia de Santos), onde o tipo de extração de petróleo é mais complexo, feito em profundidades jamais experimentadas.
Diz Sapienza: “O vazamento que agora atinge o nosso oceano é um alerta. Precisamos ficar muito atentos ao que será feito na área do pré-sal. Esperar que a embalagem se quebre, para depois chorarmos pelo leite derramado, será uma temeridade. O governo brasileiro precisa rever tudo o que foi feito, analisar muito bem o que foi, e o que será assinado em termos de contrato, e ficar munido de toda a segurança para que não tenhamos algo pior do que já ocorreu em várias partes do mundo. Vazamentos como aqueles ocorridos no Alasca e no Golfo do México podem ser pequenos ante o que poderá ocorrer no mar territorial brasileiro”.
Depende da presidenta
O Senado aprovou terça-feira medida que proíbe o fumo em estabelecimentos fechados de acesso público. Os chamados “fumódromos”, ambientes criados em bares, restaurantes, danceterias, empresas e similares, estão proibidos. Segue a tendência da legislação paulista. “Medidas restritivas como essas são tendência em todo o mundo e apresentam-se como essenciais no controle do tabagismo e na preservação daqueles que não são fumantes”, afirma o médico Joaquim Melo, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead). “Afastar a tendência de expansão do consumo que, se mantida, estima-se, pode causar mais de 10 milhões de mortes por ano, metade delas em indivíduos em idade produtiva, exige a adoção de medidas de políticas públicas restritivas. Vale reforçar que o veto não pretende prejudicar ou estigmatizar os tabagistas, mas zelar pela saúde coletiva’, diz ele. O projeto depende agora de sanção da presidenta Dilma.
No Palácio
O governador Geraldo Alckmin tem reunião marcada com os deputados da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas da Assembleia Legislativa nesta segunda-feira, às 18 horas, no Palácio dos Bandeirantes. O coordenador da Frente, deputado Donisete Braga, afirma que o encontro é uma oportunidade para apresentar as principais demandas da sociedade no que se refere ao combate às drogas, especialmente a oferta de serviços públicos de tratamento para os dependentes químicos. Os deputados também entregarão ao governador levantamento sobre a situação do crack realizado nos municípios paulistas.
Capital gera empregos
A capital paulista foi a responsável pela criação de 86,11% do total de empregos formais gerados em todo o Estado no mês de outubro. O índice faz parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, segundo o qual, na cidade de São Paulo o número de trabalhadores admitidos (181.299) foi superior ao dos desligados (161.597) criando assim, mais 19.702 vagas no mercado de trabalho. Nas 645 cidades paulistas, por sua vez, foram admitidos 515.223 empregados e desligados 492.344, com saldo positivo de 22.879 empregos.
Resgate da história
A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriu a existência de duas cartas escritas por Monteiro Lobato e endereçadas ao fazendeiro e empresário Nhonhô Magalhães, que destacou-se na região de São Carlos durante a Primeira República. Nelas, datadas de 1925, o escritor solicita apoio financeiro para evitar a falência da Companhia Gráfica Editora Monteiro Lobato, abalada por problemas de gestão e pela Revolução de 1924 em São Paulo, sugerindo que os filhos do fazendeiro pudessem se interessar pela indústria de livros no futuro. Tânia Pellegrini, docente do Departamento de Letras e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UFSCar, afirma que “as duas cartas de Lobato são inéditas e são desconhecidas pelos estudiosos do escritor”. Na segunda carta, o editor mostra-se desesperado, apelando, inclusive, aos sentimentos do fazendeiro, afirmando que tal ajuda salvaria sua própria vida. No papel há um apelo, escrito a lápis, para que Magalhães telefonasse ao escritor assim que recebesse sua carta. O fazendeiro, no entanto, respondeu negativamente em carta formal e escrita à máquina e a editora de Lobato foi à falência. Anos depois Lobato fundaria outra editora, que teve grande sucesso.
Wilson Marini
Jornalista – wmarini@apj.inf.br