08 de julho de 2026

Lei seca para menores


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Já está mais que comprovado. O consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens está para lá de excessivo. Uma pesquisa do Ibope, encomendada pelo governo do Estado, apontou que 18% dos adolescentes entre 12 e 17 anos bebem regularmente, e que quatro entre dez menores compram livremente bebidas alcoólicas no comércio. Segundo a pesquisa, o consumo de álcool acontece, em média, aos 13 anos. O Cratod (Centro de Referência em Tratamento de Álcool, Tabaco e Outras Drogas) detectou que 80% dos pacientes diagnosticados alcoólatras deram o primeiro gole antes dos 18 anos, parte deles muito jovens, com 11 ou 12 anos. Matéria de hoje do Comércio mostra como a situação é crítica também em Franca, onde a média de ocorrências envolvendo jovens/bebidas/drogas triplicou nos últimos dois meses em relação ao resto do ano.

Em função desses dados, o governo do Estado deu início a uma mega operação de combate ao consumo de álcool por menores em estabelecimentos comerciais. Essa iniciativa talvez tenha total aprovação entre os adultos que se preocupam com os caminhos trilhados atualmente por nossos jovens. Um caminho intensamente permeado pelo consumismo, pelo prazer e pelo hedonismo, o que acaba por expô-los largamente ao álcool e a outras drogas, já que esses produtos são por eles considerados como agentes facilitadores desse processo.

O problema é saber como esses menores vão receber essa nova ‘lei seca’. A adolescência já é complicada por natureza. Geralmente, a sensação experimentada por esses jovens é de rebeldia em relação às hierarquias. Sentem-se inatingíveis e lutam para fugir daquilo que entendem ser a opressão dos adultos.

Nosdias de hoje, porém, essas sensações estão sendo explicitadas de forma mais concreta e exagerada. A despeito da idade, está cada vez mais difícil controlá-los, seja na escola, na família ou no trabalho. Empinam suas motos, aceleram seus motores, bebem, utilizam-se de drogas, brigam e desafiam normas, pais, professores e autoridades.

Não são todos, é verdade, mas formam um número suficiente para desafiar uma lei que tem tudo para naufragar, como várias outras que tentam sobrepor-se aos usos e costumes da sociedade.

Mesmo que a fiscalização endureça por um determinado tempo, dificilmente terá funcionários e fôlego suficiente para mudar uma situação. Já vimos esse filme antes.

A situação é realmente complexa, mas alguma coisa precisa ser feita. O Estado está tentando fazer sua parte, pelo menos tenta enfrentar o problema. Talvez seja importante uma participação mais efetiva da sociedade e dos pais, especificamente. Talvez seja necessário encontrar também uma forma de punir o menor. Talvez.

De qualquer forma, é preciso enfrentar o problema.