O Conselho Tutelar de Franca atendeu uma média mensal de 340 casos de adolescentes envolvidos com álcool e drogas em agosto e setembro deste ano. O volume de atendimentos triplicou em relação aos outros meses de 2011. De janeiro a julho, a média mensal de ocorrências registradas pelos conselheiros foi de 110. As estatísticas já superam o total de 2010 (veja quadro nesta página).
O aumento é explicado pela frequente fiscalização da presença de menores em festas feita pelo Conselho Tutelar; respaldo das escolas, que têm notificado os casos de evasão escolar ao órgão; e pelo maior número de denúncias. “Só em agosto tivemos mais de cem comunicados feitos por escolas sobre a ausência de alunos após o fim das férias. Ao atender os estudantes aqui no Conselho, descobrimos que a maioria está usando drogas e álcool e deixou as salas de aula por isso”, disse a conselheira tutelar Gláucia Limonti. Esses casos são registrados nas estatísticas de evasão escolar e também nas de envolvimento com álcool.
Nas festas, os conselheiros tutelares abordam os jovens para verificar a idade no documento pessoal. Os dados dos menores são coletados e depois eles e os familiares são acionados pelo Conselho para atendimento. “Na primeira entrevista, a gente levanta um histórico dos adolescentes para saber que problemas enfrentam, e é muito comum descobrirmos o envolvimento com drogas e álcool”, disse Gláucia.
O Conselho Tutelar atende em média 25 casos por dia. A conselheira tutelar estima que 70% tenham envolvimento com álcool e drogas. A maioria é homem, com idades entre 13 e 16 anos. São moradores de toda cidade, seja bairros da periferia ou da região central. O crack é a droga mais consumida. “Eles começam bebendo e depois buscam experiências diferentes na maconha e, no crack, quando querem algo mais potente. Percebo que eles entendem que a maconha não é droga, de tão comum que está usar.”
Um dos acompanhados em 2011 é João (nome fictício), de 14 anos. Ele começou a usar drogas ainda menino. Experimentou maconha aos 6 anos e aos 12 passou a cheirar cocaína. Com muitas faltas, a escola onde estudava acionou o Conselho Tutelar que fez os atendimentos e conseguiu tratamento contra a dependência. João está internado na Amamasc (Associação Mão Amiga de Amparo Masculino) há um mês. “Me arrependo de ter entrado no mundo das drogas, que só traz sofrimento para minha mãe. Quero mudar de vida”, disse ele, que é o caçula de uma família de três filhos cujo pai é usuário de drogas.
Gláucia disse que o consumo de drogas é motivado pelo fácil acesso e conflitos enfrentados na parte da adolescência. “Eles vivem um momento de dificuldades e angústia, e não estão encontrando amparo na família e escola. Sem ter onde se apoiarem, procuram refúgio nas drogas.”
PROVIDÊNCIAS
Depois de serem atendidos no Conselho, os adolescentes que aceitam tratamento com internação são encaminhados para entidades de recuperação de dependentes químicos. Os que se negam a ficar internados passam por atendimento no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e participam de oficinas e sessões com psicólogos no Proreavi. Casos mais graves são representados no Juizado da Infância e Juventude. “É necessário trabalhar o preventivo com mais projetos para atender esse público e incentivar o diálogo nas famílias, além da polícia intensificar o combate ao tráfico”, disse o conselheiro Gláucia Limonti.
Clique na imagem para ampliar: