16 de março de 2026

Ministro ‘dá trabalho’


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Transformar a política em profissão é uma chaga! A indignação da população, contra os atos de improbidade e corrupção, aumenta muito, pois diariamente a imprensa veicula novas denúncias contra políticos ‘profissionais’. A má utilização e os desvios de dinheiro público transformaram-se em coisas banais e corriqueiras

A“representação teatral”, ensaiada e apresentada em público pelo senhor Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, fingindo não saber quem era determinada pessoa, virando e revirando folha em busca do nome do presidente de uma ONG (Organização Não Governamental) foi muito falsa e não convenceu. E posteriormente quando foi desmascarada sua versão “teatral”, novamente em público diz ter se esquecido. Caro leitor, a verdade é que há muitas ONG’s sérias, mas em sua grande maioria são utilizadas para desvios de dinheiro público. Quando no início da década de 2000, em artigo por nós publicado nesse mesmo jornal, comentamos que políticos iriam utilizar-se das ONG’s para desvios, fomos criticados e mal interpretados, mas como sempre dissemos, o tempo é o senhor da razão e passados mais de dez anos dos comentários efetuados a “face oculta” de algumas organizações não governamentais começa a ser desmascarada. O caso em tela nos últimos dias, não foi o primeiro e tampouco será o último. A propósito, a título de sugestão, nos municípios, vereadores, deveriam examinar com maior profundidade todos os repasses destinados a convênios com ONG’s.

O Código Penal Brasileiro traz fundamento jurídico, quando, no art. 317 informa que receber benefícios em razão da função que exerce, evidentemente, valendo-se de recursos públicos para o favorecimento ilícito que se denuncia nesse episódio, é corrupção passiva. Porém o que mais espanta a população do País é a impunidade, sobretudo no que diz respeito aos recursos públicos que se vão e não voltam. Não há ressarcimento. Mesmo quando há comprovação do ilícito praticado, quando se constata ter havido corrupção, desvio de recursos públicos, não há notícia de que os cofres públicos foram ressarcidos. Em nossa opinião, o “cavalo da sorte está passando arreado”, por várias vezes, diante da presidente Dilma, mas ela não o monta nem o cavalga. A cada queda de ministro, ela tem a oportunidade de romper com esse modelo, recebido do seu antecessor, que na prática é uma “fábrica de escândalos”. A partilha de cargos públicos entre partidos aliados, trás muitos interesses e fisiologismo, criou-se estruturas paralelas apenas para acomodar os indicados pelos Partidos etc.

Já que se aproxima o primeiro ano de governo, a presidente poderia perfeitamente efetuar uma ampla reforma administrativa e ministerial, mantendo sua base política, mas não abrindo mão do controle dos cargos chaves, exigindo um mínimo de qualificação dos ocupantes dos Ministérios, pois aproveitando o dito popular, “de nada adianta trocar os cachorros se a coleira continua a mesma”. Em outras palavras, troca-se a pessoa, mas os ministérios continuam sendo utilizados pelos administradores para dar atendimento aos “interesses” partidários. Da maneira como está, a qualidade do Governo é puxada para baixo e abrem-se as portas para a corrupção desenfreada, com bilhões desperdiçados - conforme diz a Transparência Internacional, cerca de R$70 bilhões por ano.

A Presidente também deveria reduzir o número de Ministérios, pois é inadmissível a existência de 38 ministérios, visto que foram criados para “acomodações”, pois as superposições de ações governamentais confirmam que alguns ministérios deveriam estar inseridos como secretarias ou coordenadorias dentro de outro ministério. A nossa Presidente sabe perfeitamente que não adianta somente trocar um ministro hoje, porque no próximo fim de semana haverá outro, depois outro e assim sucessivamente, mas sim deveria haver uma ruptura do modelo atual. Enfim, constituir uma equipe de Ministros dá Trabalho!

PARABÉNS À UNIFRAN
Para nós que acompanhamos em grande parte e fomos testemunha do esforço de toda equipe da Universidade de Franca em busca da implantação do curso de Medicina na cidade, temos que parabenizar a relevante conquista e a superação dos obstáculos. Nossos cumprimentos ao chanceler Clóvis Ludovice e ao coordenador Sinésio, pessoa séria e competente com a qual tivemos o privilégio de compartilhar a mesma sala de professores durante anos. A notícia foi um presente de aniversário, antecipado, para Franca.

AINDA A POLÊMICA DO PONTILHÃO
A construção de um pontilhão na Avenida Major Nicácio, continua a gerar polêmicas. Sabemos e respeitamos cada opinião, porém não seria a hora da Câmara Municipal, sugerir à Prefeitura que colocasse um semáforo no local a título de experiência?

QUEDA DA OFERTA DE EMPREGO
Recebemos com preocupação a informações vinculadas pela mídia de que nos últimos meses houve redução do número de vagas de trabalho em nossa cidade. Os dados demonstram a gravidade do problema, principalmente se levarmos em consideração que estamos adentrando ao período das compras de final de ano. As lideranças da indústria e comércio precisam reagir, não somente com retóricas, mas sim cobrando providências governamentais efetivas, utilizando-se do recente e excelente trabalho de reportagem jornalística efetuado pela equipe desse jornal em cidades do Paraguai.

PRÓXIMAS ELEIÇÕES
Não é nenhum demérito, mas os partidos políticos, nesse momento de descrédito junto ao eleitorado, precisam escolher com bastante cautela o nome dos candidatos a vereadores. Temos visto pela cidade uma enormidade de pessoas já em campanha, as quais que não possuem nenhuma qualificação para ser postulante ao cargo e muito menos “ficha limpa”.

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br