09 de julho de 2026

Franca tem a sétima pior renda familiar do Estado


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ORÇAMENTO - Vera Lúcia Vieira, com o filho Thiago: “Com a renda de R$ 1.700 só conseguimos comer e pagar as contas”

A renda média das famílias francanas está entre as piores do Estado de São Paulo quando comparada com cidades com mais de 300 mil habitantes. Na média, as famílias francanas vivem com R$ 1,7 mil por mês. O valor só é maior que a média das cidades de Itaquaquecetuba, Guarulhos, Diadema, Carapicuíba, Mauá e São Vicente (ver quadro nesta página). Os dados foram divulgados na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e fazem parte dos resultados do Censo 2010.

Para a administradora e economista Rosalinda Chedian Pimentel, o baixo rendimento das famílias francanas ainda é resultado da falta de diversificação da economia local. “Franca sempre esteve pautada nas indústrias de calçados e na cultura cafeeira. Esses dois setores sofreram bastante no final da década de 90 e no início desta década. A indústria enfrentou a chegada da concorrência chinesa e o colapso das exportações e o café também viu seu mercado externo encolher. Só agora conseguimos uma retomada.”

A renda média das famílias francanas também está abaixo da média do Estado, que é de R$ 1.760. “Isso não é um dado preocupante. Nosso salário representa 98% da média estadual. Estamos numa curva ascendente e logo devemos superar esse valor”, diz a economista Rosalinda.

A família da dona de casa Vera Lúcia Souza Vieira, de 47 anos, é uma das que vivem com cerca de R$ 1,7 mil por mês. João Clésio, o marido de Vera, trabalha como sapateiro e recebe cerca de R$ 1 mil. Seu filho Rafael também trabalha como atendente e ganha pouco mais de R$ 600. “Com essa renda, conseguimos comer e pagar as contas. Não sobra para fazer outras coisas”, diz Vera Lúcia.

Na casa da família, no Jardim Aeroporto, ainda vive o filho caçula, Thiago Henrique Vieira, de 5 anos. “Eu até queria voltar a trabalhar para ajudar, mas não tenho com quem deixar meu filho pequeno. É muito ruim não ter dinheiro para fazer as coisas que a gente deseja.”

FUTURO
A economista acredita que, no futuro, o desempenho de Franca no quesito renda deve melhorar. “Nos últimos cinco anos, temos visto uma diversificação da economia, com um forte crescimento do setor de serviços e uma maior oferta de vagas. Franca é hoje um polo de atração de investimentos e pessoal. Estamos no caminho certo para que a realidade das famílias em termos de rendimento melhore.”

Rosalinda não se arrisca a falar sobre prazos. “O que posso assegurar é que se a economia da cidade continuar no ritmo que está esse crescimento da renda virá. Agora dizer quando isso acontecerá é impossível. Essa é uma análise que depende de inúmeros fatores”, finaliza.

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