09 de julho de 2026

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NA MÉDIA - Aparecida Célia Xavier, que ganha R$ 700 por mês e não tem registro em carteira

Na manhã de sexta-feira, Aparecida Célia Xavier, de 54 anos, estava com muitas dores. Ela sofre com um mioma no útero. Mesmo assim, iria trabalhar. Cida, como é conhecida, é coladeira de peças em uma fábrica. Não tem registro e ganha R$ 700 por mês. Um pouco acima da média das mulheres na cidade.

Segundo o Censo 2010, as mulheres de Franca têm o segundo pior rendimento do Estado de São Paulo, quando comparadas as cidades com mais de 300 mil habitantes. Só perdem para as de Itaquaquecetuba. Aqui as mulheres ganham em média R$ 650. Valor abaixo da média estadual de R$ 700.

Para Aparecida, o salário não é tão ruim. “Eu tenho só até a oitava série. Não fiz nenhum curso especial. Então como poderia ganhar melhor?”. Com o dinheiro que recebe, Aparecida ajuda o genro a sustentar a casa da família, onde moram sete pessoas. “Não é fácil. Sonho em voltar a estudar e tentar melhorar de vida, mas acho que já estou velha para isso e ainda preciso cuidar dos meus três netos.”

Além de ter o segundo pior salário do Estado, as francanas também continuam ganhando menos que os homens. De acordo com o levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), enquanto o salário médio masculino é de R$ 900, o das mulheres é de R$ 650, cerca de 30% menor.

A administradora e economista Rosalinda Chedid Pimentel disse que essa diferença entre os gêneros em Franca já foi muito maior. “Na década de 80, os homens recebiam 70% a mais que as mulheres para exercer as mesmas funções. O que vimos com o resultado do Censo é que esse abismo entre os sexos está diminuindo.”

Rosalinda Pimentel explica que essa diminuição é provocada principalmente pelo crescimento dos setores de serviços e comércio. “Diferente da área industrial, esses dois setores têm preferência pela mão de obra feminina e, normalmente, pagam melhores salários”, disse.

Para o futuro, a tendência, segundo a economista, é que as mulheres ultrapassem a média masculina. “O número de mulheres no mercado de trabalho é cada vez maior. Estudos mostram que elas também têm maior grau de instrução e estão conquistando mais postos de direção. Acredito que em pouco tempo nós mulheres estaremos ganhando mais que os homens.”

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