Como todo profissional da área do entretenimento, nossos sábados são às segundas-feiras. O que é maravilhoso, porque tiramos a "inhaca" da segunda. Quanto aos sábados... É fato que não há trampo no mundo que lhe retire a magia. Sábado é sábado.
Mas, também por isso, nos sobram poucas opções de lazer. Está quase tudo fechado às segundas. Uma das boas opções em Franca é o Fish, cujo proprietário é o Fish. Mentira, é o Valdecir, mas é Fish pra todo mundo. Vendo o Fish trabalhar, sentada ali, descompromissada com o tempo e com a pose, saboreando um dos seus deliciosos bolinhos ou a maminha, desconcertada com o copo de cerveja que me denuncia a folga na segunda-feira, vejo que o Valdecir dá uma aula de gastronomia, talvez de vocação.
A paixão por servir bem não se aprende na faculdade. É preciso atenção para reconhecer a cada dia, dia após dia, sob as intempéries da profissão, que o cliente é nosso maior tesouro, que a satisfação singular desse cliente individualmente é nossa grande missão. E que estragar o passeio dos outros é um crime de lesa-pátria.
Valdecir nos disse, num papo pra lá de engraçado, seu modo de lidar com quem maltrata seus tesouros, digo, clientes. Sua preocupação com o conforto estende-se até a segurança: ele tem até o Amarelão, um cachorro enorme que faz a guarda da clientela. E quanto à comida, que é corretíssima, proclama seu lema: "dúvida não vai à mesa, vai pro lixo". E por isso faz sucesso!
Em férias pelo litoral paulista, Valdecir descobriu um novo tempero que estava fazendo o maior sucesso, um tal de "chimi chimi". Não teve dúvidas, foi ao Ponto Natural e a atendente traduziu seu caipirês e lhe vendeu o chimi chury, um tempero de origem argentina utilizado principalmente para temperar carnes. É constituído dos seguintes ingredientes: orégano, salsa, alho, folhas de louro, pimenta branca, pimentão vermelho e azeite de vinagre branco. Pode-se fazer em casa em iguais proporções ou comprar o prático desidratado mesmo. De qualquer forma, natural, sem conservantes e aditivos químicos. E isso nem é frescura...
Então agora, a salada, a mami-nha do Fish têm um toque de tempero de chef. E, segundo ele, todo mundo gosta de umas frescurinhas...
A curiosidade move qualquer mundo, o da comida não é diferente. O aprendizado pode se dar de várias formas, pelo mundo inclusive.
Quem se senta naquela esquina (rua Major Claudiano com Simão Caleiro) onde nasce o vento de toda a Franca espera comer bem, mas surpreende-se, e vai comer melhor ainda. Aprecio o fato de que a comida é o que de melhor o Fish oferece.
Parece uma redundância dizer isso, mas não é. Muitas donos de bares e restaurantes cometem o equívoco de pensar mais na plástica do lugar, do prato, do que no sabor e na qualidade do alimento. Uma fuga de proposta que culmina inevitavelmente no fechamento do estabelecimento.
O Fish já tem 15 anos de estrada, e é um clássico da noite francana do mundo underground, butequeiro - e todos os dias com a mesma qualidade. Por isso, dedico a você, Valdecir, a crônica de hoje. Somos, aqui no Azul, ainda muito pequenos, espero um dia poder celebrar sua marca. Alço-te a condição de "restauranter". Sabe o que é isso, Valdecir?
Sim, você sabe!
Arte com comida
A empresa Kohberg, líder na fabricação de pães na Dinamarca, lançou uma embalagem especial que imita um sutiã para a campanha de conscientização do câncer de mama. Parte da renda da venda é destinada a campanhas de prevenção da doença. O projeto é da agência de publicidade dinamarquesa Envision
A dica da semana
Fazer pão é uma paixão. Não há como ficar indiferente ao cheiro do fermento, à textura da massa, ao momento de assar, em que acontece uma má-gica e surge um alimento sagrado; tudo é envolvente. Adoro fazê-los!
Embora a vanguarda da panificação use apenas o fermento biológico instantâneo, eu ainda não havia abandonado o fermento fresco por um simples motivo: não sabia usar o instantâneo. Não adiantava, seguia as orientações do fabricante ao pé da letra, mas era inútil: o pão não crescia satisfatoriamente. Algumas pessoas não têm problemas com ele, misturam na farinha e o pão sempre cresce, mas comigo é diferente.
O conselho para poder usar sem medo este facilitador é fazer com ele uma esponja, exatamente como se faz com o fermento biológico. Para quem não sabe, a esponja se faz com água ou leite morno, açúcar e farinha de trigo. Dissolva o fermento seco em um pouco de líquido morno, acrescente o açúcar e um pouco de farinha (um mingau ralo). Deixe descansar longe de correntes de ar. O mingau rapidamente se transforma em uma esponja, cheia de bolhas de ar. Esta esponja é o fermento do seu pão, já com a primeira fermentação iniciada.