Desde que se reuniu em grupos, graças à capacidade de se comunicar, o ser humano tenta criar sistemas pelos quais se torne mais aceitável a vivência coletiva. Daí, as leis e suas normas reguladoras do convívio em sociedade, o que já demonstra importante progresso do esforço comum no sentido do respeito recíproco entre as pessoas.
Há, todavia, que se darem às leis o valor e a força, o que só se consegue à custa de obediência consciente, mas, parece-nos patente que a humanidade tem procurado, diante das leis que lhe regem as relações, a melhor maneira de satisfazer às necessidades que vão surgindo ao longo da sua jornada na terra.
É obvio que, na elaboração das leis, há tolerada influência de poderosos que procuram adequar as respectivas disposições aos seus interesses, quase sempre de cunho econômico e financeiro. São aqueles cuja preocupação principal é a de levar vantagem em tudo, como se a lei devesse sempre favorecê-los, sobretudo na sua ambição insaciável.
Entretanto, é-nos confortadora a certeza de que o objetivo das leis é sempre o de melhorar a convivência dos homens. Há mesmo quem diga que ‘viver é fácil, conviver é que é o problema’. Os povos, em todas as partes do mundo, convivem com regimes políticos e sociais, cada qual segundo a sua cultura, objetivando o melhor relacionamento entre si e com as demais criaturas humanas.
Qual será o regime ideal? Aquele que impõe, até pela força das armas, as leis que pretende reguladoras da vida de um povo? Ou será aquele que dá ao povo plena liberdade, mas permite que se corrompam as relações entre governantes e governados, sob o império da competição ambiciosa. É que, nesses regimes, os poderosos se acham acima da lei. A busca pelo regime ideal de convivência tem sido um alvo inatingido pelos homens de boa fé, visto que não é o regime que faz o homem, mas é o homem que faz o regime.
Quaisquer que sejam os diversos regimes existentes no planeta, democracia, ditadura, totalitarismo etc., são nomes indicadores da maneira de pensar e agir do ser humano, ou de apenas alguns que se julgam poderosos bastante para dominarem. Todos, porém, são obra dos homens.
É, portanto, de admitir-se ideal aquele regime que tenha o bem-estar de todos como principal objetivo, garantindo plena liberdade, sob o imperativo da responsabilidade que se demonstra pelo cumprimento da lei.
Este regime é o da fraternidade, onde todos partilham coisas e sentimentos; onde o mais forte ampara o mais fraco, o mais rico ajuda o mais pobre, o mais sábio orienta o menos letrado, enfim, o regime da solidariedade, porque considera todos irmãos. É o regime do amor universal proposto por Jesus, o Cristo de Deus!
Foi para nos ensinar a verdadeira fraternidade é que Ele esteve entre nós, sacrificando a própria vida no empenho de salvar-nos pelos celestes ensinamentos. Este, sim, é o regime verdadeiro, ideal, definitivo. Compete-nos lutar pela sua implantação na Terra que, então, será o mundo das bem-aventuranças.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca