Vivemos uma era de análises, medições e avaliações. De repente, parece que tudo precisa ser medido e rapidamente analisado. Para um país que viveu a maior parte de sua história sem um mínimo de planejamento, a avaliação tende a incomodar. Mesmo que não explique tudo, que mostre apenas uma face da realidade e que esteja sujeita a erros de interpretação ela nos dá uma idéia dos resultados de nossas ações e dos nossos planos e nos alerta para as mudanças necessárias, caso eles se mostrem insatisfatórios. Baseada em números, a avaliações muita vezes desmente nosso ‘feeling’, nossas esperanças ou o nosso ‘achismo’.
Enfim, mesmo que incomode, as medições são necessárias. No mundo mais complexo e competitivo em que vivemos, ela torna-se fundamental para nos auxiliar nos difíceis processos de gestão.
Nesse sentido, o resultado do estudo da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), publicado pelo Comércio na terça-feira, 08/11, vale para sinalizar a necessidade de reflexão e planejamento de novas ações. Segundo a pesquisa, Franca apresenta ainda alguns problemas no que diz respeito aos indicadores de emprego e renda, o que está diretamente ligado ao nível de escolaridade de seus trabalhadores.
Se pensarmos bem, esse resultado não deveria ser novidade para ninguém. Já sabemos disso há muito tempo. Nossa principal indústria, apesar de ainda empregar mão-de-obra intensiva, não prima tanto pelo investimento na qualificação de seus colaboradores. Não porque o desdenhe, mas porque até hoje não precisou se preocupar tanto com isso.
Porém, se analisarmos o cenário que se aproxima, é bem provável que essa situação venha a mudar. Para continuar competindo, a indústria calçadista francana terá que aperfeiçoar seus processos de gestão e investir em tecnologia e inovação. Para isso, precisará de colaboradores mais qualificados, o que consequentemente exigirá um maior nível de escolaridade.
Além disso, se analisarmos o PIB (Produto Interno Bruto) da cidade, vamos perceber que o setor de serviços já contribui bem mais que o setor industrial para a formação de nossas riquezas. Se ainda não emprega mais, pelo menos foi o que mais abriu novas vagas de emprego no último ano, segundo dados da Secretária de Desenvolvimento de Franca, com 1.594 postos de trabalho.
O que precisamos, na verdade, é aprender com os estudos, pesquisas e avaliações. De nada adianta lê-los no jornal e continuarmos seguindo a mesma toada. Precisamos estudá-los, interrogá-los e tirar deles o máximo possível de informação.
A partir daí, é só redirecionar as ações. Independentemente dos números e das pesquisas, é notória a transformação da cidade nos últimos anos. Mudanças que vêm para melhor, na economia e nos costumes.
Com certeza, estamos condenados ao crescimento.