Nos últimos dois meses mais de mil aparelhos foram levados em oito ações criminosas registradas pela polícia. O alvo: lojas especializadas em telefones celulares. Foram quatro furtos e quatro assaltos à mão armada. Em dois roubos, a Polícia Militar conseguiu prender os autores dos crimes. Neste período uma quadrilha que arrombava lojas no Centro também foi identificada. Parte do bando foi indiciada, mas continua respondendo ao inquérito em liberdade.
As últimas ocorrências levaram tanto medo aos comerciantes que eles já pensam desistir do negócio. O dono de uma loja de celulares do Jardim Noêmia foi assaltado duas vezes em menos de 30 dias, sempre com violência. Da última vez, no dia 14 de outubro, três bandidos o ameaçaram de morte e levaram todos os aparelhos que estavam à venda no local. Foram mais de 20 celulares. ARS, 35, não quis gravar entrevista, mas afirmou que pretende parar de trabalhar com equipamentos de telefonia. Nos últimos dias a vítima disse que ficava de portas fechadas, com medo de ações criminosas. Nos dois casos, a polícia recuperou os aparelhos levados por marginais e o material foi devolvido a ARS.
Na Rua São Paulo, Vila Aparecida, dois homens - um deles armado com revólver, que chegou a apontar a arma contra a cabeça de uma criança de 6 anos - levaram seis aparelhos considerados de última geração. A ação violenta aconteceu no último dia 20. Os bandidos foram identificados, mas os celulares não foram recuperados. Um prejuízo, segundo a vítima, de mais de R$ 2 mil. Para se defender, o comerciante colocou grades na porta e só abre mediante identificação do cliente. “Foi a única maneira de me proteger dos roubos. Já fui roubado quatro vezes”, disse.
Nos últimos dois meses, três grandes furtos também foram registrados. Em um dos casos, no dia 23 de setembro, numa loja na Rua General Carneiro, marginais levaram perto de mil aparelhos, sendo que 200 eram de clientes e estavam na loja para serem consertados. O prejuízo foi de mais de R$ 60 mil. Em 1º de outubro, no Jardim Francano, um comerciante teve 50 aparelhos furtados depois que ladrões arrombaram uma das portas do prédio. Seis dias depois, em outra loja, ladrões quebraram a vitrine e pegaram todos os aparelhos que estavam em exposição. A empresa não revelou o valor e a quantidade dos equipamentos levados.
INVESTIGAÇÃO
Para a polícia a preferência dos bandidos pelos produtos está na facilidade de se “desovar” os aparelhos. “Os celulares estão cada vez mais modernos. Além disso, são fáceis se desfazer com preços que giram em torno de 30% do valor real”, disse o delegado Márcio Murari.
Ainda de acordo com a polícia, quadrilhas especializadas nesta modalidade de crime já foram identificadas. Três suspeitos foram detidos pela Polícia Militar quando estavam se preparando para arrombar lojas no Centro. “Um deles é bem conhecido nos meios policiais. Todos foram indiciados nos crimes de furto principalmente na região central. Descobrimos que eles agiram em algumas lojas de celulares. Já pedimos a prisão dos suspeitos à Justiça”, disse Murari.