Mais uma vez, neste domingo, Deus fala conosco. A sua Palavra traz vida e nos salva
Hoje vem nos recordar que o tempo é um dom que, por pura bondade, nos concede. É a oportunidade que ele nos oferece para a realização de boas obras. Somos administradores do seu plano. Para isso, Deus dá a cada pessoa diferentes talentos. Ele pedirá contas do que fizermos ou deixarmos de fazer. Portanto, é importante saber viver o tempo presente de modo digno, aguardando a vinda do Senhor. A vigilância é atitude sábia: permite que estejamos sempre à disposição da graça, prontos para o encontro definitivo da graça, prontos para o encontro de definitivo com Deus, não importa quando e como ele venha. Com a vigilância vem a sobriedade, a maneira simples e transparente de viver, como fazem os filhos da luz.
Primeira Leitura: Provérbios 31
A leitura de hoje propõe um trecho, no qual, se revela uma exaltação maravilhosa da mulher. Começa afirmando que uma mulher perfeita tem um valor inestimável e em seguida relaciona quatro características. Antes de tudo ela é uma mulher de valor: faz a felicidade do seu marido, na família difunde paz, serenidade e harmonia. Depois, é laboriosa. Não fica de mãos inativas nem se perde em conversas vazias, mas se agita para que na sua casa nada falte. A terceira característica é a de ter um coração generoso. Comove-se diante das necessidades dos pobres e os socorre. Não guarda para si e para sua família o fruto do seu trabalho, mas o partilha com quem se encontre em necessidades. A quarta e última característica é a de ser uma pessoa religiosa, cumpridora dos mandamentos de Deus.
segunda Leitura: 1ª Carta aos Tessalonicenses 5
Um dos temas centrais da primeira carta aos Tessalonicenses diz respeito à segunda vinda do Senhor Jesus. Paulo preocupa-se em orientar a comunidade cristã de Tessalônica, pondo ênfase no verdadeiro modo de se comportar neste tempo de espera. O próprio Jesus havia prevenido seus discípulos: “Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas... Felizes os servos que o Senhor, á sua chegada, encontrar vigilantes. Vós também estais preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que não pensais”. Para Paulo, ter consciência da volta inesperada do Senhor é de extrema importância, pois determina a maneira correta de viver a fim de, assim, não temer o julgamento divino. Todo momento é decisivo. Portanto, é necessário agir como o vigilante que não sabe a hora em que o ladrão vai chegar. Não podemos dormir!
Evangelho
O evangelho deste domingo faz parte do quinto e último discurso de Jesus. A parábola apresenta um homem que, ao viajar para o estrangeiro, chama seus três servos, confiando-lhes os seus bens. A cada um entrega os talentos conforme a sua capacidade. Mesmo o que recebe um talento tem em mãos algo de muito valor, considerando que o talento equivalia a aproximadamente 34 quilos de ouro. O centro da questão está na maneira como cada um aplica o que recebe do seu senhor.
O homem do qual fala a parábola é um senhor oriental muito rico. Um talento não é uma quantia pequena: corresponde ao salário de vinte anos de trabalho de um operário. O senhor rico é Cristo que, antes de deixar este mundo para entrar na glória do Pai, deixou todos os seus “bens” aos discípulos.
O tempo de espera durante o qual os talentos devem produzir frutos, é o que transcorre da Páscoa até a volta de Cristo no fim do mundo. Trata-se, portanto, do tempo da Igreja. Em que consiste a riqueza entregue aos servos? Trata-se de tudo aquilo que Jesus deixou para a sua Igreja: antes de tudo o Evangelho, a sua mensagem de salvação, em seguida o Batismo, a Eucaristia e todos os sacramentos, o poder de curar, de consolar, o seu amor pelos pobres, para com os que sofrem na vida.
A comunidade cristã organiza a sua vida, cresce, se desenvolve, produz uma profunda transformação no mundo, enquanto o seu Senhor não está visivelmente presente. Ele deixou este mundo e voltou ao Pai. Agora cabe aos seus discípulos trabalharem para que tudo o que ele lhes confiou produza frutos abundantes. Quem é o personagem principal da parábola? Toda a narração tem no comportamento do terceiro servo o seu foco central, aquele que foi bloqueado pelo medo. As palavras que o senhor lhe dirige contêm o ensinamento principal: a única atitude inaceitável é a daquele que não faz nada.
O medo do servo também merece uma citação. É possível ter medo de Jesus? Infelizmente sim! Há ainda muitos cristãos que têm medo de cristo e de Deus. Isto é conseqüência de uma interpretação distorcida da Bíblia. Chega-se a pensar em Deus como se ele fosse um guarda que controla o trânsito e pune os infratores. Quem imagina que Deus é assim, com certeza se comporta como o terceiro servo da parábola: limita-se a praticar aquilo que é indispensável.
Uma mensagem para nós
O tempo é dom de Deus para boas obras. Deus concedeu os talentos, de modo original, a cada um de nós. Ninguém está isento de contribuir para a construção de um mundo de fraternidade e justiça. Cada pessoa, conforme a sua capacidade, é chamada a fazer parte do grande mutirão a favor do reino de Deus. O comodismo e a indiferença contradizem a fé cristã. É bom que cada um de nós se pergunte: que talentos recebi de Deus e de que modo os desenvolvo e aplico? Conforme a parábola de Mateus, o servo que enterrou seu talento o fez por medo do seu senhor. O contrário do medo não é a coragem, e sim a fé. Quais medos, hoje, impedem o testemunho de vida, coerente com a fé e o seguimento de Jesus Cristo?
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br