09 de julho de 2026

Câncer linfático afasta promotor do cargo


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QUIMIOTERAPIA - O câncer do promotor Fernando Martins é do mesmo tipo diagnosticado no ator Reynaldo Gianecchini

No dia 27 de outubro, o promotor de Justiça, Fernando de Andrade Martins, ingressou com uma ação na Justiça para tentar obrigar o Estado a reduzir a fila formada por 12.500 pessoas que esperam por uma cirurgia eletiva em Franca. Pretendia que 574 pacientes fossem atendidos com urgência devido ao risco de morte. Parte das cirurgias se refere a casos de oncologia.

Quatro dias depois, Fernando Martins passou por uma bateria de exames. Recebeu o diagnóstico de que está com câncer linfático na virilha, também chamado Linfoma de Não Hodkins, o mesmo que acometeu o ator Reynaldo Gianecchini e a presidente Dilma Rousseff (PT). Foi obrigado a se afastar da Promotoria para se tratar. Passará por oito sessões de quimioterapia. A primeira foi realizada na última quinta-feira.

Fernando Martins disse que há vários dias vinha notando um inchaço no púbis. Em princípio, imaginou que fosse hérnia. O médico descartou a possibilidade e solicitou vários exames para constatar eventual infecção. Os resultados não apresentaram anormalidades. Foi submetido, então, a uma tomografia, que encontrou indícios de linfoma.

No dia 31, o promotor fez uma biópsia e descobriu que estava com câncer no sistema linfático, órgão responsável pelas defesas do corpo. A doença atinge os gânglios linfáticos localizados no pescoço, axilas, virilha, tórax e abdome. Na maior parte dos casos, tem cura. “Você fica baqueado, mas logo vem aquela necessidade grande de ter espírito de luta. É superável, o médico deixou claro que é curável. Como dizem os chineses: ‘O pinheiro mostra sua força no inverno’. Então, é na adversidade que você tem de manter o espírito de guerreiro.”

ALERTA
Crítico do sistema público de saúde, o promotor decidiu revelar o problema que está sentindo na própria pele para alertar as autoridades sobre a necessidade de melhorar o atendimento prestado pelo SUS. Disse que, como promotor, tem convênio médico e que recebeu atendimento eficaz e rápido, o que possibilitou o diagnóstico precoce.

“Se fosse sujeito a filas do SUS, com certeza, não estaria aqui contando que estou sendo tratado com muita eficiência. Tenho a obrigação de chamar a atenção, mais uma vez, para o absurdo, para o descalabro que é a saúde pública. O pobre é tratado com descaso pelo administrador público e nem sempre consegue detectar a doença a tempo, o que amplia o risco de morte.”

Fernando Martins ficará afastado da Promotoria por seis meses para fazer o tratamento. “Estou com muita determinação para vencer a doença para voltar a trabalhar em nome da minha comunidade.”