08 de julho de 2026

Os sem senso


| Tempo de leitura: 4 min

Existe o termo? Se não existe, terá que ser criado. Muitos, neste mundo individualista de hoje, o definem. É candidato, portanto, à dicionarização

Gente ética, que regra a vida com bom senso, seja por falta de incentivo ou reconhecimento tende a se tornar figurinha carimbada e fora de moda. Esse conceito, essencial para garantir respeito às relações humanas, vai saindo de cena a passos largos, rumo ao ‘sexto-arquivo’ – prá não dizer ‘ao lixo’ – deste País.

A maioria das pessoas já não está nem aí. ‘Vivo em meu quadrado e cada um que cuide do seu.’ Quem é figura pública e devia se preocupar com a questão, decidiu-se por também cuidar só do seu quadrado, bolso, cueca, umbigo. Quem vem lá, que se vire...

E há quem ainda se preocupe. O leitor e advogado João Bittar Filho, sempre atento, comentou esta semana comigo sobre a falta de bom senso que, nas mais variadas situações, toma conta do País.

Como exemplo, usou a concessão da Medalha Machado de Assis – uma das comendas de maior valor cultural do País – a Ronaldinho Gaúcho, na ocasião em que a Academia Brasileira de Letras, referência da cultura nacional e conferidora da medalha comemorava José Lins do Rego e seus 110 anos, vivo fosse.

Receberam, além do atleta, a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, e, até, o técnico do time, Vanderlei Luxemburgo.

Desanimado, João contestava a essência da concessão: “a mais importante medalha cultural da ABL a flamenguistas só porque José Lins era flamenguista? Qual a contribuição às letras ou à cultura nacional dada pelos personagens homenageados?”.

Não há resposta, João. E é ainda pior. Um comentarista de Internet, na época – foi em março deste ano – disse que estava tudo certo: “Ronaldinho escreve como imortal quando joga”. Vídeos da ocasião mostram o atleta dizendo que “não sabia o que falar”, frente ao prêmio. Outro, irônico, bateu na “medalhinha”, para usar um jargão futebolístico: “claro que não havia mesmo o que dizer”.

Com todo o respeito que merece, Lula enviesa e também apoio o conceito dos sem senso, quando afirma e reafirma que se orgulha de ter chegado à Presidência do País sem curso superior e nem praticando o hábito de ler o que quer que seja. Deve ter razão pois tem hoje, em seu currículo vários títulos de doutor ‘Honoris causa’ emitidos por algumas das mais importantes instituições de ensino do mundo. Claro que, como povo, damos motivos...

CARTA CIDADÃ
Cobraram-me que voltasse a abrir espaço para o que tenho chamado, nesta coluna, de Cartas-Cidadãs. Volto a publicar. A de hoje, enviado pelo Correio, é assinada pelo professor Aécio Flávio Lemos:
“Consterna-me e constrange-me o descaso com o qual a maioria dos motoristas desrespeitam a faixa de pedestres. É difícil parar pela ânsia frenética do correr pelos que vêm atrás de você e por aqueles que não o acompanham parando, colocando em risco os pedestres que iniciam a travessia. Por outro lado, aqueles que dirigem na contramão das Ruas Solimões e Rio Trombetas, no Residencial Amazonas, intrigam-me. Por que o prazer de desacatar a lei? Onde está a cidadania de cada um e o respeito cristão pelo próximo, tão reclamado nos templos religiosos? Acredito que o Jesus que se respeita é o Jesus, ‘ex’ da Madonna.

BLOCO DE NOTAS

OLHE PARA O LADO – A extensão da Avenida Alagoas - aquela da caixa d’água da Avenida Brasil - ampliada pelo Prefeito Sidnei Rocha para após o córrego do Cubatão e em direção aos bairros Primo Meneghetti e Piratininga (se você ainda não conhece, vá, porque a região é linda. Espraia-se, por ali, uma nova Franca) continua recebendo programação ambiental digna de nota. Centenas de - novas - árvores agorinha mesmo plantadas devem transformar a região, em alguns anos, num dos locais mais aprazíveis da cidade.
Digna de nota, também, a avenida de duas pistas, interna ao condomínio Franca Garden e que ‘desemboca’ na rotatória do posto de gasolina desativado da Avenida Ismael Alonso Y Alonso. Vão residir nos 44 blocos e 1408 apartamentos do lugar, em mais alguns meses, uma pequena cidade inteira – a média é a da chamada ‘família modelo’, 4 integrantes cada uma –, algo em torno de 6,7 mil moradores novos que se deslocarão de carro, moto, bicicleta pelas avenidas Alagoas, Santa Cruz, Eliza Verzola Gosuen, Ismael Alonso Y Alonso e, claro, pela Major Nicácio, aquela onde os políticos não se entendem sobre construir, ou não, um viaduto; e que terão que se alimentar, divertir, estudar e etcetera. E é o etcetera que me proocupa mais.

BANCA – Nelson Barduco Júnior, advogado especialista em Direito Civil, Tributário e Processual Tributário, por muitos anos diretor jurídico da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Franca (CDL), inaugurou ontem, no edifício Esmeralda, praça Barão, sua banca de advocacia. Com ele, o também advogado especializado em Direito Corporativo, Estratégias Societárias, Trabalhistas e Contratuais, André Luís Gimenes. União de talentos conhecidos e competentes que só pode dar certo. Cumprimento-os.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br