Encher o tanque do carro com etanol é está cada vez mais caro para o consumidor francano. Na cidade, o reajuste no preço superou os 35% em comparação com o final do mês de outubro de 2010. Os proprietários de veículos populares, que gastavam em média R$ 82 para abastecer o tanque, gastam hoje mais de R$ 110. Em levantamento realizado nos últimos dias pela reportagem do Comércio em 10 postos de combustíveis do município, o litro do etanol foi encontrado por R$ 1,999 em sete estabelecimentos. A pesquisa identificou ainda o menor preço a R$ 1,849.
Muitos proprietários de carro flex estão optando em abastecer os veículos com gasolina, devido ao rendimento do combustível ser 30% superior ao do álcool. O administrador de empresas Fellipe Cintra percorre diariamente cerca de 70 km por dia e abastece somente com gasolina para economizar. “A alta nos preços é geral, mas o que não consigo entender é como que o preço do álcool na cidade de São Paulo é mais barato do que em Franca, já que estamos ao lado de uma região produtora.”
A crescente alta no preço do etanol é explicada pelos donos de postos pela falta do produto no mercado, pelo fim de safra e pela preferência das usinas em produzir açúcar. “As usinas estão utilizando a cana para produzir mais açúcar do que o etanol e isso afeta o valor do combustível. Tem usinas na região que não fabricam etanol, já que o açúcar é muito mais lucrativo”, disse Marco Antônio Nascimento, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) em Franca.
De acordo Sérgio Prado, representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) em Ribeirão Preto, o motivo da alta no preço do etanol vai além da fabricação do açúcar pelas usinas. “Mais de 50% da cana é destinada para o etanol. O que alterou a oferta foi o envelhecimento do canavial, a seca do ano passado, além da geada em regiões produtoras no início desta safra”, disse Prado. O maior número de carros flex e a manutenção da oferta de etanol também foram lembrados pelo representante como fatores responsáveis pelo aumento no preço do combustível.
Apesar da igualdade nos preços do álcool na maioria dos postos pesquisados, o representante do Sincopetro em Franca não vê a prática como cartel, método utilizado por comerciantes para nivelar os preços e evitar a concorrência. “Esses valores são estabelecidos pela composição da margem de lucro. As despesas dos revendedores hoje são altíssimas, a carga tributária é muito alta. É preciso ver em quantos turnos o posto trabalha, o número de funcionários e o preço cobrado pelas distribuidoras que pagam caro pelo transporte do combustível”, ressaltou Nascimento, destacando que o preço cobrado do consumidor é equivalente ao repasse do valor pago às distribuidoras.