Pelo menos três cidades mineiras da região - Cássia, Delfinópolis e Ibiraci - estão adotando ou vão precisar adotar medidas enérgicas para colocar as finanças em ordem e assim evitar que serviços essenciais sejam afetados nos municípios. Entre as principais medidas programadas estão reduções de salários, cortes de benefícios, cancelamento de viagens, controle de gastos com energia, água e combustível, suspensão de serviços e até exoneração de cargos de confiança.
Segundo as administrações dos três municípios, a queda nos repasses governamentais, como o FPM (Fundo de Participação dos Municípios), e a inadimplência no pagamento de impostos são os fatores que mais contribuíram para o desequilíbrio econômico. Só em Delfinópolis, o prefeito José Geraldo Martins (PSDB), o Zezé, disse que a Prefeitura tem R$ 1 milhão em impostos atrasados para receber da população.
No município, o aumento do gasto com a folha de pagamento devido a ações trabalhistas e o acerto feito com funcionários não concursados que foram dispensados comprometeu ainda mais o caixa. “Houve queda na receita nos últimos dois meses de R$ 300 mil mensais, por isso foi preciso tomar essas decisões amargas”, disse Martins. Um dos cortes acontecerá na segunda-feira, 14, quando o prefeito fará a exoneração de 40 funcionários comissionados. Também na próxima semana, o chefe do Executivo fechará o pátio e só autorizará a saída de veículos para tratamentos de saúde. “Se trouxerem resultados, as medidas serão válidas até o fim do ano, caso contrário vamos estender para 2012.” Segundo a tesouraria do município, as mudanças visam alcançar uma economia de R$ 150 mil mensais.
Na vizinha Cássia, a situação não é muito diferente. Desde o 15 de outubro, um decreto da prefeita Ana Maria Cáris (PT) reduziu o expediente da Prefeitura e limitou o funcionamento do pátio municipal a três dias na semana. A prefeita também passou a controlar gastos com telefone, energia, água e papel, e proibiu a realização e o pagamento de horas extras.
Em Ibiraci, o prefeito Ismael Silva Cândido (PT) também admite a queda na arrecadação. Porém, diz que, apesar do orçamento enxuto, conta com uma verba da qual pediu remanejamento. O projeto foi enviado à Câmara Municipal, mas não recebeu a aprovação da maioria dos vereadores. Com a negativa, a Prefeitura cancelará a bolsa auxílio de 50 estagiários e já bloqueou o vale-alimentação de R$ 100 de 300 servidores. Serviços como a operação tapa-buracos na estrada que liga a cidade até a Usina Peixoto também serão comprometidos. “Houve queda nos repasses, trabalhamos no limite, temos a verba, mas não existe flexibilidade por parte dos vereadores para mexermos no orçamento”, disse o prefeito.
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