O Grupo Oka, composto por 12 artistas plásticos de São Paulo apresenta, sob a curadoria de Oscar D’Ambrósio, a exposição Florestas, no Laboratório das Artes, em Franca. A mostra, que já percorreu três estações do Metrô de São Paulo (Sé, Treze de Maio e Vila Madalena); Galeria Deco; Galeria Praça Victor Civit; Espaço Polytheama, em Jundiaí; Museu do Café da Unesp de Botucatu e Embu das Artes apresenta leituras poéticas muito subjetivas - desde um estudo de cor, passando por hiper-realismo, pontilhismo em aquarela a um autorretrato em sépia - do que pode ser discutido em ecologia (e arte) em seu viés de beleza, riqueza, manejo, devastação.
A diversidade e mistura de técnicas, algumas originais, como as esferográficas sobre papel, dão o tom contemporâneo dessa mostra numa apreensão muito pessoal de cada um dos artistas, idealizada a partir da proposta da Unesco de que o ano de 2011 fosse dedicado ao tema Florestas.
Florestas é a terceira exposição do grupo. As primeiras foram Bússolas e Coletiva. “A proposta era discutir a questão dos desmatamentos e o impacto disso no planeta e nos homens, sem delimitação de técnicas, mas, em se tratando de um grupo de artistas, a discussão se tornou mais visual que propriamente política e eis o resultado, que busca dialogar com o público e artistas em geral”, explicou D’Ambrósio, que esteve na vernissage.
Para o próximo ano, o Oka já tem o projeto de dedicar uma instalação ao Ano Internacional do Morcego (Unesco), que provocará divagações que, de acordo com D’Ambrósio, devem partir da extinção das espécies e seu desdobramento no ecossistema à curiosa perspectiva de mundo de um morcego: de cabeça para baixo.
Jornalista formado pela ECA (USP), mestre em Artes Visuais pelo IA-Unesp/SP, doutorando em Artes pela Universidade Mackenzie, Oscar D’Ambrósio foi, na década de 90, crítico literário do Jornal da Tarde. Em seguida, foi para a assessoria de comunicação da Unesp em São Paulo, onde permance. Seu contato com a obra do artista naïf Waldomiro de Deus, em 2000, engendrou sua inserção no meio naïf e a sua escalada no mundo das artes plásticas, com a produção de livros, críticas, textos e instalações. Transitando por grupos de todos os estilos e tendências, D’Ambrósio é crítico de Arte da ABCA (Associação Brasileira dos Críticos de Arte) e da Aica (Associação Internacional dos Críticos de Arte), D’Ambrósio conversou com o Comércio sobre arte e crítica na entrevista abaixo.
Comércio da Franca - Fale da crítica na atualidade.
Oscar D’Ambrósio - A crítica deixou de existir. A crítica, como se concebia, os chamados resenhistas nos jornais, migrou dos jornais para as universidades. Hoje você só tem crítica literária, de artes plásticas, dança, etc. na universidade. Não é a crítica que existe hoje nos jornais. Os cadernos de cultura acabaram, tornaram-se cadernos de entretenimento. O que se tem hoje é um comentário superficial, que deve sair no dia da abertura da exposição, como um produto de mercado, sem visão crítica. Não se trata de falar mal, mas de conter uma reflexão, apontar, senão problemas, ao menos questões.
Comércio - Quem hoje você destaca no plano da crítica de arte?
D’Ambrósio - De jornais, ninguém. Destacaria artistas que escrevem sobre arte, como o Paulo Pasta. Agora, entre os mais jovens, vejo uma grande pretensão, em relação às curadorias, de serem destacadas como mais importantes que os artistas, e aí não encontro muitas exceções. Vejo isso com muito temor, há uma geração inteira, posterior à minha, considerando os curadores as grandes estrelas das exposições. Veem o curador como alguém que tem um poder muito grande e isso é um equívoco. O curador é apenas um instrumento, um intermediário para o diálogo com o público.
Comércio - Que tendências você aponta hoje nas artes plásticas?
D’Ambrósio - As tendências são a fotografia e as técnicas mistas. O que mais se coloca nas paredes hoje, dos filmes de Woody Allen às novelas da Globo. É uma arte muito mais acessível hoje, em que todos são potencialmente fotógrafos, com os seus celulares e câmeras, o que acaba por despertar olhares em sua direção (de técnica fotográfica). O óleo e e gravura são técnicas não tão acessíveis à interação com o público. Os meninos que fazem arte digital hoje não querem sujar as mãos no óleo, nas químicas da gravura, por exemplo. Mas os que resistem nessas técnicas são excepcionais, vão se aprofundando. A mistura das técnicas, que traz gravura com colagens; carvão e aquarela, etc, é o que tem predominado. Na arte contemporânea, é cada vez mais frequente a tentativa de superar o limite da técnica.