09 de julho de 2026

Violência em partidas do Varzeano pode obrigar a 'importar' juiz


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AMEAÇA - Zagueiro parte para cima de árbitro

O tema violência voltou a acompanhar de perto o futebol varzeano e colocar em xeque o futuro do esporte na cidade, segundo o presidente da Associação de Árbitros do Futebol Amador de Franca (AAFAF). Para Renato Bráulio, responsável pela definição dos apitadores das partidas, as constantes ameaças e agressões deixa a categoria aflita. “É inadmissível passar por essa situação. Assim como a maioria, nós (juízes) somos pais de família”, declarou Renato. A solução pode vir de fora. O dirigente planeja “importar” árbitros de Barretos, Batatais ou qualquer outro município próximo para trabalhar nos jogos restantes do Campeonato Varzeano 2011. Vale tudo para evitar chegar em casa ferido e machucado. A definição sobre o assunto sai hoje.

No último sábado, o juiz Hélio Pereira não realizou a partida entre Miramontes e Franca, válida pela última rodada da fase de classificação, por não se sentir “seguro”. Segundo relatado ao presidente da AAFAF, o árbitro foi ameaçado antes mesmo do jogo ter início. “Ele me contou que sofreu pressão por parte dos dois times. Como o policiamento faria apenas o patrulhamento na parte externa (fora do campo), ele achou por bem não fazer a partida”, descreveu.

O campo é o mesmo onde no mês passado, o árbitro Onildo da Silva e o assistente Anderson Hertz, sofreram agressões por parte de atletas da equipe do Leporace no confronto diante do Miramontes. Na ocasião, após receber cartão vermelho, o atleta Daniel (Leporace), enfurecido com a marcação, partiu para cima do árbitro. Durante a confusão, o lateral Eltinho desferiu uma cabeçada no assistente Anderson Hertz e também foi expulso. Em outras ocasiões durante a temporada, diretores e torcedores invadiram o gramado com a partida acontecendo para reclamar da arbitragem. Há informações de ameaças a juízes até em suas casas, em horários e dias distantes dos consagrados as partidas.

O chefe de arbitragem tem uma tese interessante sobre os motivos destes acontecimentos. O pagamento em dinheiro aos atletas e a conivência da JDD (Junta Disciplinar Desportiva), entidade que julga e tem poder de punir os agressores, originam a balbúrdia em campo. “O atleta hoje joga pelo dinheiro. Não existe mais o vínculo com a comunidade do bairro e o amor ao clube. Com essa ‘profissionalização’, os times não aceitam perder e culpam o árbitro pelas derrotas”, apontou Renato Bráulio. “Outro problema está na parte disciplinar. As pessoas que julgam, não levam em consideração o relatório do árbitro. Com isso, casos onde atletas e diretores deveriam pegar uma pena severa, passam batidos”, disse.