09 de julho de 2026

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PERDÃO - Dom Pedro Luiz Stringhini

O bispo da Diocese de Franca, Dom Pedro Luiz Stringhini, falou ontem pela primeira vez sobre a condenação do padre José Afonso Dé, 76. O líder da Igreja Católica na região se dirigiu a toda a sociedade e pediu perdão pelo “transtorno e sofrimento” que provocou o caso envolvendo o padre. Sereno, Dom Pedro atendeu a reportagem do Comércio pela manhã e disse que recebeu através do jornal na última terça-feira, “com perplexidade e tristeza”, a notícia da condenação do padre a 60 anos e oito meses de reclusão por estupro e atentado violento ao pudor. Em nota divulgada no início da tarde, o bispo reforçou o “profundo sofrimento, tristeza e perplexidade” e afirmou que a Diocese acolhe com respeito a decisão da Justiça (leia a íntegra da declaração nesta página).

Condenado em primeira instância pela 2ª Vara Criminal de Franca, em julho deste ano, padre Dé era vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical, até ser afastado de suas funções pela Diocese, em março do ano passado quando surgiram as primeiras denúncias de crimes sexuais contra coroinhas da igreja. Segundo os garotos, os abusos aconteceram na casa do padre (leia mais em texto nesta página).

Ontem, Dom Pedro enfatizou mais uma vez que só teve conhecimento da condenação pelos meios de comunicação e por isso a Igreja ainda não podia se posicionar sobre a decisão. “A gente não se posiciona, pois a informação só veio dos meios de comunicação que confiamos, mas não são os meios oficiais”, disse.

Em trecho da nota, o bipso pede “humildemente perdão a todos, a exemplo do papa Bento 16”. “Reafirmo meu propósito de envidar esforços para que a Igreja diocesana prossiga com fidelidade e ardor sua missão”, escreveu. Em junho do ano passado, o papa pediu perdão público a Deus e às vítimas de padres pedófilos, e prometeu que faria “tudo o que for possível para que que abusos semelhantes não voltem a acontecer jamais”.

Ainda em sua declaração, o bispo reafirmou que confia no clero da Diocese de Franca formado por 70 padres, além de diáconos permanentes (casados) e diáconos transitórios (futuros sacerdotes). “Reconheço a perseverança, a dedicação e o testemunho de vida... E o esforço que eles têm demonstrado no serviço generoso ao povo a eles confiado”, diz trecho do documento.

Dom Pedro Luiz encerrou a declaração, oferecendo orações e amizade ao padre Dé e desejando que o sacerdote possa encontrar conforto e direção no “silêncio interior”.