Desde a sexta-feira, o Comércio estava à procura de padre Dé. Havia um esforço de membros da igreja para tentar blindá-lo. Pessoas próximas informaram que ele estava morando perto do City Posto. Não era verdade. Ele foi encontrado ontem à noite em um amplo imóvel na região central. Uma câmera de segurança colocada sobre o muro controla a movimentação de quem se aproxima. O portão só é aberto após a visitante se identificar pelo interfone. Um gramado separa o muro da casa.
Padre Dé estava sentado em uma poltrona na sala da casa, que faz lembrar uma sala de aula. Atrás dele, havia um quadro negro com anotações e números de telefone. Ele usava um colete para amenizar a dor causada pela fratura de duas costelas. “Me machuquei durante uma celebração a cerca de 400 quilômetros de Franca”, contou. Um homem aparentando ter entre 25 e 30 anos fazia companhia ao religioso.
O tom agradável da conversa mudou radicalmente no momento em que o visitante disse que era jornalista do Comércio e que pretendia ouvir o padre sobre a condenação. Dé deixou de sorrir e permaneceu com o semblante fechado. “Eu não sei de nada. Não tomei conhecimento de nenhuma decisão”, disse.
Apesar da insistência da reportagem, Dé se recusou a gravar entrevista. “Padre tem que guardar segredo e o caso está sob segredo de Justiça.” Um segundo homem entrou na sala e acompanhou o diálogo. O padre disse que eram seus secretários. Em seguida, afirmou que a conversa estava encerrada e que não gostaria de falar mais nada. “Se quiser alguma informação, fale com meu advogado. Ele é minha língua.”