Neste domingo refletimos sobre a multidão que seguiu, ao pé da letra, os ensinamentos de Jesus. Vejamos os ensinamentos da Palavra de Deus
Como primeira leitura, Apocalipse. Foi escrito para encorajar as comunidades cristãs a perseverar no meio de grande sofrimento. O texto deste domingo reflete o testemunho dado por uma multidão de cristãos diante da violenta perseguição desencadeada pelo imperador Nero ao redor do ano 65. As comunidades perseguidas, mergulhadas em profunda dor, gritam por justiça. As 144 mil pessoas assinaladas. São todas as que não se contaminam com a ideologia dos poderosos. São as que permanecem fiéis ao plano de Deus a ponto de entregar a própria vida, como fez Jesus, o Cordeiro imolado. Deus é o protetor e salvador dos pequeninos, dos indefesos e dos perseguidos por causa da justiça.
SEGUNDA LEITURA
O amor de Deus não tem limites. Ele nos fez participantes de sua própria natureza divina. Somos seus filhos e filhas já neste tempo transitório e o seremos plenamente na ressurreição. Essa verdade tão bela nos enche de dignidade e nos impulsiona a viver de acordo com a vocação divina. As pessoas que vivem de modo coerente com o evangelho se confrontam com os interesses egoístas dos que dominam este mundo. Jesus preveniu seus discípulos de que seriam perseguidos, presos e até mortos. Os que sofrem por causa da fidelidade aos valores evangélicos fazem parte dos bem-aventurados...
Evangelho: A proclamação das bem-aventuranças, no Evangelho de Mateus, dá a abertura ao “Sermão da Montanha”, no qual Jesus apresenta a nova justiça. A justiça agora é praticar os ensinamentos de Jesus. A multidão que segue a Jesus é formada de pobres em espírito. Trata-se de pessoas vítimas do sistema dos poderosos. São pessoas indefesas que vivem da esperança de dias melhores. A essa gente Jesus vem trazer a libertação. Os pobres são os protagonistas do reino. Jesus conta com eles, pois clamam por mudança social e, por isso, se mostram abertos à nova proposta.
São pessoas mansas que rejeitam a violência como caminho de solução de seus problemas; possuem a consciência de sua pequenez e confiam na bondade e grandeza de Deus, superando a amargura e o desejo de vingança. São pessoas aflitas devido à penúria e à instabilidade em que vivem; choram marcadas pelo tratamento desumano, pelo abandono social, pelas dívidas, doenças, acusações injustas... São pessoas que têm fome e sede de justiça, pois sentem na pele os efeitos de uma sociedade baseada no poder do mais forte. São pessoas que, apesar de oprimidas, são misericordiosos. Elas se mantêm abertas e acolhedoras;amam incondicionalmente, reconhecem-se pecadoras e esperam a salvação que vem de Deus... São pessoas puras de coração: mesmo excluídas do sistema religioso oficial por serem consideradas impuras, não se deixam contaminar pelos interesses dos dominantes, mas cultivam a confiança em Deus e buscam viver na transparência e na autenticidade.
São pessoas que promovem a paz num contexto de conflitos e guerras. Suas atitudes são marcadas pela “não violência ativa”, desdobramento do amor que caracteriza os filhos e filhas de Deus... são pessoas, enfim, perseguidas por causa da justiça, que sofrem as conseqüências de ser fiéis à proposta do reino de Deus. As bem-aventuranças sintetizam o caminho de santidade que pode ser seguido por todas as pessoas de boa vontade.
UMA MENSAGEM PARA NÓS.
A celebração de todos os santos é a festa da santidade anônima. Da santidade entendida, em primeiro lugar, como dom de Deus e resposta fiel da criatura humana. Torna-se impossível enumerar todos os santos, tidos como sinais da manifestação maravilhosa da ação de Deus. Cada santo é um exemplar único e exclusivo. Não podemos pensar a santidade como um produto em série. A comemoração de todos os santos nos abre a ação do Espírito Santo.
Quando veneramos ou falamos de um santo de nossa devoção, somos tentados a contemplá-lo(a) pela ótica perfeccionista. “Ele foi perfeito”, “Um super-humano”. Não! Os santos, antes de tudo, foram pessoas comuns. Eles fizeram sua caminhada de vida seguindo os passos de Jesus. Participaram da realidade do povo santo e pecador. Contudo, eles se destacaram na vivência radical do ideal proposto pelas bem-aventuranças. Foram pessoa que, por seu modo de viver a Boa-Nova, marcaram significativamente a sociedade de seu tempo e se transformaram em referenciais atualizados para a história. O culto da Igreja a determinado santo proclama o mistério pascal na pessoa que sofreu com Cristo e com ele é glorificada. Ao mesmo tempo, propõe aos fiéis o seu exemplo e implora por seus merecimentos os benefícios de Deus.
O convite evangélico à santidade é proposto a todos. Não é uma realidade impossível de alcançar. Tudo depende do vigor com que se vive o ideal das bem-aventuranças na relação com Cristo e nos compromissos inerentes à vida. Eu e você podemos ser santos. Não importa se somos pessoas de muitas qualidades ou não. O que conta é que sejamos pessoas extraordinárias pela vivência do programa de Jesus resumido nas bem-aventuranças.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br