As famílias dos quatro mortos no atropelamento na Cândido Portinari no dia 31 de outubro de 2009 querem indenização por danos morais e materiais. Elas entraram na Justiça e o processo na esfera cível se juntou ao criminal que o estudante de agronomia Thiago Teruo Kuratani, 22, - que dirigia o veículo - já responde pelo crime de homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal. No mês passado, dois anos após o acidente, as testemunhas de defesa do universitário prestaram depoimento à Justiça. A próxima fase será a analise das oitivas pelo Juiz Luciano Franchi Lemes, da 1ª Vara Criminal de Franca.
Em outubro de 2009, Kuratani estava na cidade para participar do Caipirusp - evento desportivo organizado por alunos da USP. Na manhã dia 31, ele transitava com seu Celta preto pela Cândido Portinari, quando perdeu controle do veículo e subiu no barranco à direita da pista. No local, ele atropelou seis pessoas que estavam no acostamento da rodovia, perto da ponte da Vila São Sebastião. Quatro morreram em decorrência do acidente: o casal Maria Diva da Cruz Souza, 60, e José Eurípedes de Souza, 56; Márcio da Silva Batista, 20; e o caseiro Alvimar Cardoso de Almeida, 42. As vítimas estavam à espera de um ônibus para Pedregulho. Na ocasião o estudante disse que cochilou ao volante.
Juzilene de Souza Rodrigues e seus dois irmãos - filhos de Maria Diva e José Eurípedes - pedem 200 salários mínimos, para cada um deles pelas consequências causadas pelo desastre. “Nunca recebemos nenhuma ligação nem mesmo uma carta de sentimentos pelas perdas que tivemos. Estamos sem respostas. Nada vai trazer meus pais de volta, mas estamos confiantes na Justiça. O que aconteceu foi terrível. É triste saber que a pessoa que matou seu pai e sua mãe continua sem punição”, disse Juzilene de Souza.
Rubelita Monteiro também move ação contra o estudante. Ela é mãe de Paulo César Monteiro de Almeida, 23. O rapaz também foi atropelado por Kuratani, ficou três meses internado em coma na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa e ainda sofre com as sequelas deixadas pelo atropelamento. “Meu filho está bem melhor, mas ficou com problemas de cabeça. Ainda é um trauma muito grande para gente. Ele nunca mais vai poder trabalhar e leva a vida assim, com as sequelas deixadas pela tragédia”, disse Rubelita Monteiro, mãe do rapaz, que se mudou recentemente com ele para o Jardim Paineiras.
Thiago Teruo Kuratani continua o curso de agronomia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Sua família mora em Piracicaba, mas, de acordo com advogado do universitário, o rapaz se mudou para São Paulo. Na última semana, o Comércio tentou entrar em contato com o estudante por telefone, mas ninguém atendeu às ligações feitas para o número registrado na ocorrência policial.