09 de julho de 2026

Corpo é encontrado carbonizado dentro de caçamba no Petrópolis


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Celiano Ávalos, dono da maior fábrica de calçados do Paraguai, que produz cerca de 450 pares por dia

Bem diferente da indústria brasileira, o parque fabril do Paraguai parece estar vivendo na Franca dos anos 50. Na grande maioria das empresas, não há maquinário. Todo o trabalho é feito a mão. Também não há organização. Caixas, cola, formas e couros se espalham por todos os cantos. Os poucos trabalhadores não usam uniformes ou qualquer equipamento de segurança. Almoçam em meio à produção. A matéria-prima utilizada é importada do Brasil e da Argentina. Os calçados produzidos são vendidos para lojas dentro do próprio Paraguai por preços que variam de R$ 80 a R$ 100.

A D’Luca Calçados existe há vinte anos. Fundada pelo ex-sapateiro Lucas Gomes, a fábrica funciona num galpão improvisado na garagem de uma casa nos arredores de Assunção. A empresa emprega 11 pessoas e produz de 70 a 80 pares por dia. Lá, todo o trabalho para a confecção de sapatos femininos é artesanal. Os calçados custam em média R$ 90.

Além de Lucas, sua mulher também trabalha na empresa. “Amo mexer com sapato. Comecei a trabalhar como sapateiro aos 11 anos e não parei mais. Em 1990, resolvi montar a minha própria fábrica. Não estou rico nem espero ficar milionário, mas consegui sustentar e formar meus quatro filhos vendendo calçados”, diz Lucas que trabalha, em média, dez horas por dia.

O sonho dele é ampliar a produção e conseguir comprar máquinas que agilizem o processo de confecção. “Mas ainda não consegui realizá-lo. Tudo custa muito caro e tem que ser trazido ou do Brasil ou da Argentina. Para mim, ainda não dá.”

Na Garielli Calçados, o cenário se repete. A fábrica funciona na cidade de São Lourenço, ao lado de Assunção. São sete funcionários que trabalham em média oito horas por dia produzindo calçados, a maioria sandálias femininas.

A fábrica está instalada em um pequeno prédio anexo à casa de Carlos Fleitas, dono da empresa e presidente da Câmara de Calçadistas do Paraguai. O imóvel tem três salas. Na primeira, fica o escritório administrativo. São apenas duas mesas e um computador. Em seguida, há o espaço destinado ao depósito. Lá, matéria-prima e caixas se misturam e, mais adiante, fica a área de produção. “Aqui usamos quase tudo do Brasil. Eu já estive em Franca. Conheço muito gente por lá. Uso material comprado na Amazonas e couro dos curtumes francanos.”

Carlos Fleitas disse que a grande maioria das fábricas calçadistas genuinamente paraguaias são como a sua. “Aqui não há grandes empresas como no Brasil. Ainda estamos engatinhando.”

O EXEMPLO
A maior indústria calçadista do Paraguai é a CEI Calçados, comandada por Celiano Avalos. São duas filiais, uma em São Lourenço (na Grande Assunção) e outra na Argentina. Na unidade paraguaia, são 40 funcionários que produzem 450 pares de calçados femininos e masculinos por dia. Os preços variam de R$ 80 a R$ 100.

Avalos ainda mantém dez lojas. “Só consigo sobreviver porque faço a distribuição direta para o consumidor final. Não tenho intermediários.”