09 de julho de 2026

Às vesperas do NBB 4, Feac cobra reconhecimento do basquete


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Entidade quer nome no uniforme, divisão de despesas com o Póli e sugere jogos de graça: ‘O espaço é público’

Prestes a estrear no NBB 4 (dia 21, em casa, contra Araraquara), o Franca Basquete se vê diante de um novo problema. A assinatura do contrato de cessão do Ginásio Poliesportivo escancara as divergências existentes entre o clube e um de seus principais patrocinadores: a Prefeitura de Franca. Do alto do segundo maior repasse mensal ao clube de basquete da cidade - R$ 38 mil contra R$ 32 mil da Amazonas, o primeiro é da Vivo -, Reginaldo Emídio, presidente da Feac (Fundação Esportes, Artes e Cultura), explica o motivo da adoção de novas normas no relacionamento com o parceiro.

Emídio faz questão de lembrar que é a Prefeitura quem cede o Póli, faz sua manutenção e de seus equipamentos -aí incluindo o placar -, oferece as salas e a infraestrutura onde funciona a sede administrativa do Franca Basquete, a sala dos trofeus, entre outras, e deixa claro ser importante ajudar um dos ícones da cidade. Só não vê contrapartida. “É importante ajudá-los, mas não vemos reciprocidade da parte deles. Eles não pagam nada e têm todo o conforto”, afirma.

O novo contrato do Póli mostra que a Prefeitura deseja dividir despesas e ser tratada da mesma forma que outros parceiros da agremiação. Por exemplo, quer ver colocado no uniforme de treinos e jogos do Franca Basquete as inscrições “Feac” e “Prefeitura de Franca”. “Essa é uma das maneiras do clube reconhecer a ajuda que o poder público e o povo de Franca lhe presta”, diz Emídio que lembra ser o Franca Basquete a entidade esportiva que recebe o maior valor pego pela Prefeitura a entidades conveniadas (veja quadro).

Segundo o documento, o clube passará a ser responsável por despesas como a limpeza de toda a praça esportiva, manutenção da quadra e do placar, além de só poder comercializar áreas internas do ginásio que estejam previamente determinadas. “O espaço é público e gera receitas. Somos cobrados e temos de respeitar determinações do Tribunal de Contas”, explicou.

É justamente pelo fato do Póli ser público que Emídio faz a afirmação mais contundente. Para ele, os jogos do Franca Basquete deveriam ter entrada gratuita. “A Prefeitura, o povo de Franca, oferece muito ao basquete. Essa seria uma forma de retribuir e aumentar ainda mais a popularidade do esporte na cidade. Há uma parcela de nossa gente que não conhece o Póli”, explicou.


Comércio da Franca - O contrato de cessão do Póli para o Franca Basquete possui cláusulas que não existiam no documento do ano passado. O que levou a prefeitura a estas exigências?
Reginaldo Emídio
- É importante dizer que o Póli é um espaço público. Disponibilizá-lo ao Franca Basquete já é uma ajuda e tanto. E é o povo quem faz. Além disso, a cada ano crescem as despesas do poder público com questões de manutenção e infraestrutura do local. Como o cedemos ao clube, penso ser justo pedirmos que colaborem. São estas pequenas coisas que pesam. Vamos adequar o contrato buscando a conscientização do Franca Basquete de que deve colaborar e dizer aos francanos sobre a parceria de sucesso que tem com a prefeitura. Queremos que saibam a dimensão do trabalho.

Comércio - Quanto custou a reforma do piso do ginásio?
Reginaldo -
Levamos sete anos para conseguir fazer esta obra. O piso antigo tinha 18 anos, se não me engano. Esta quadra custou R$ 236.800, as tabelas foram substituídas (R$ cada uma R$ 27 mil) e o placar foi trocado há dois anos, mais ou menos, por um valor que não me lembro. Há manutenção de parte elétrica e outros serviços. Tudo para o Franca Basquete, para manter o esporte vivo na cidade. É o povo quem paga e oferece ao clube de basquete.

Comércio - Quando o local será entregue?
Reginaldo -
No dia 14 e o primeiro jogo será no dia 21. A gente sente que eles não reconhecem o esforço que é feito por nós.

Comércio - Você é favorável à tese de que jogos de basquete em Franca deveriam ter portões abertos?
Reginaldo -
Somos a capital do basquete e temos uma parcela muito pequena de pessoas - 8 mil pessoas é nada perto de 330 mil habitantes - que conhecem o Póli. Temos o templo do basquete e a grande maioria da população não tem acesso, precisa pagar. O espaço é público e deveria ser aberto a todos. Eu acredito que poderíamos triplicar o número de atletas e torcedores na cidade. No Jogo das Estrelas, no ano passado, queriam ingressos a preços mais caros. Tivemos de bater o pé para que cobrassem valores menores e assim dessem oportunidade a novos torcedores para conhecerem o esporte. É isso.

Comércio - A Prefeitura deseja dividir os custos com a manutenção do Póli. Se o Franca Basquete não aceitar vocês podem exigir um percentual sobre a bilheteria dos jogos?
Reginaldo -
Tudo depende de conversar. Estamos em Franca e não conseguimos resolver questões simples como a devolução e assinatura de um contrato. A prefeitura, através da Feac, só investe ali (Póli). Vamos pleitear que x% seja disponibilizado e reaplicado na praça esportiva. Temos de aprimorar nosso relacionamento e não castigar somente o poder público. A fundação teve de esperar dois anos para poder realizar a obra da reforma do piso da quadra.

Comércio - Vocês conversaram com a diretoria do Franca Basquete para definir quando seria feita a reforma?
Reginaldo -
Essa reforma tem dois lados. Há uma tramitação legal que não temos como fugir. Além disso, ao retirar as tábuas da quadra, aumentaram as necessidades. Não acho que atrapalhamos o Franca Basquete. Nós, o povo de Franca, estávamos fazendo a obra e vamos dá-la de presente. Eles ganharam uma quadra novinha, que requer cuidados e que deve durar 40 anos.

Comércio - Porque vocês diminuíram no contrato a área que o Franca Basquete utiliza para venda de espaços publicitários dentro do ginásio?
Reginaldo -
Não há diminuição. Há o que ficar registrado em contrato. Sofremos fiscalização do Tribunal de Contas e quando alguém chega lá para verificar a utilização do espaço público há propagandas em locais não especificados no contrato. Aí sofremos penalizações e não fomos nós que colocamos propaganda em lugar errado. Não há diminuição de espaço. Basta cumprir o estabelecido neste contrato que é registrado.

Comércio - Vocês solicitam cópias dos contratos vendidos pelo Franca Basquete dentro do ginásio. Porque?
Reginaldo -
É uma exigência de lei, pois cedemos espaço público para ser explorado por uma entidade que vai obter recursos. É uma questão que existe há tempos. Na maioria das vezes, não se cumpre por causa do comodismo do Franca Basquete. Estamos desde 2005 organizando. Hoje as leis são diferentes de antigamente e temos de respeitá-las.

Comércio - O novo contrato prevê que o Franca Basquete deve colocar as marcas “Feac” e “Prefeitura de Franca” no uniforme de jogo ...
Reginaldo -
É normal. Essa é a maneira de alguém tornar público que recebe apoio do poder público. Recentemente fizemos esta cobrança ao Franca Basquete. É de lei. O povo da cidade ajuda e não é identificado como tal. Isso tem de se tornar público.

Comércio - O nacional começa no próximo dia 21. Como vocês vão cobrar isso do Franca Basquete?
Reginaldo -
Nós vamos cobrar o que existir acertado em contrato. Em nenhum momento você vê neste contrato multas ou punições financeiras. É um item que defendemos para futuro. Opa, não cumpriu? Podemos até reduzir x reais do convênio que por ventura esteja vigente com a Prefeitura. Os outros patrocinadores não tem? Exigimos algo que fique transparente a ajuda dada ao basquete.