O movimento intenso de caminhões carregados de contêineres denuncia que a entrada do Porto de Cacaupe-mí está próxima. A fila de veículos estacionados à espera do embarque começa a 500 metros da portaria do principal porto particular do Paraguai. Avançando, é possível ver o enorme pátio de depósito de contêineres: são mais de mil, a maioria vinda da China.
No porto, que fica a 10 quilômetros da capital Assunção, a segurança impressiona. Na portaria, três guardas armados com escopetas recepcionam os que chegam à guarita com vidros escuros. Dentro, mais dois funcionários que controlam o fluxo de quem entra ou sai da área de embarque e desembarque de Cacaupe-mí. Em 10 minutos, pelo menos, sete caminhoneiros conseguem autorização para descarregar seus contêineres. Um deles, que carrega produtos da China, aceita conversar com a reportagem desde que sua identidade não seja relevada. Ele diz que trabalha para uma transportadora de Assunção e que faz, em média, cinco viagens entre o porto e a capital por dia, levando ou trazendo produtos chineses.
“Transporto de tudo. De sofás a carros. Normalmente, quando estou embarcando, são produtos que vão para o Brasil ou Uruguai.” Com o caminhão cheio, ele não permite que a reportagem veja a nota do que está sendo transportado e diz não saber do que se trata. “Fica tudo em caixas. Eu sou apenas o motorista.” Segundo ele, a fiscalização no porto existe, mas não é eficiente. “Eles conferem a quantidade e a documentação. Mas nunca me fizeram perguntas. E eu não falo nada porque não quero problemas.”
Mercedes Candia, gerente do porto, diz que, por dia, ali circulam 250 contêineres de produtos vindos do mundo inteiro. “Mas a maioria mesmo é de mercadoria da China e do Brasil.” Segundo ela, na quarta-feira, dia 19 de outubro, o porto estava com com mil contêineres esperando o embarque para seus destinos finais. Para dar conta do movimento que não para de crescer, ela afirma que a empresa que administra o porto já planeja dobrar a área de trabalho e armazenagem. “Recentemente adquirimos os dois terrenos vizinhos para aumentarmos os espaços de depósitos de contêineres. Também estamos investindo mais de US$ 3 milhões na compra de um novo sistema de grua (máquina para manusear os contêineres).”
A gerente justifica a presença de armas e homens contratados para a segurança afirmando que o valor das cargas é muito alto. “Além disso, o movimento de máquinas aqui dentro é muito grande, o que torna a circulação livre de pessoas bastante perigosa.”
O porto privado conta com uma unidade da Aduana do governo paraguaio, que é a responsável pela fiscalização de tudo que circula por ali. No período em que a reportagem esteve no porto, a Aduana permaneceu fechada.
Cacaupe-mí é apenas um dos mais de 60 portos particulares existentes no Paraguai. É por eles que as mercadorias vindas da China circulam. “O governo optou por isso para despistar a falta efetiva de fiscalização”, disse um agente despachante da aduana em Assunção que preferiu não se identificar.