Franca abrigará uma experiência inédita no Brasil. A ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) da cidade foi escolhida para a implantação de um projeto-piloto de transformação do gás liberado no processo de tratamento de esgoto em combustível para automóveis. O projeto será realizado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), em parceria com o Instituto Fraunhofer, da cidade de Stuttgart, na Alemanha, que fará um investimento de aproximadamente R$ 5 milhões.
Segundo a assessoria de imprensa da Sabesp, a inédita parceria deve ser oficializada em aproximadamente 15 dias. Será trazido da Alemanha um equipamento que faz a purificação do biogás, que passa por uma série de filtrações de modo a se obter o biometano (Gás Natural Veicular). O combustível é livre de impurezas que poderiam danificar os motores dos veículos, e será aplicado na frota de automóveis da Sabesp na cidade. A ideia é que o projeto cresça e que toda a frota de Franca também seja servida com o combustível.
A Sabesp prevê que o projeto seja desenvolvido em 36 meses. Serão investidos R$ 6 milhões, sendo que R$ 5,1 milhões virão do instituto alemão. O restante ficará por conta da Sabesp. Após a assinatura do convênio, que ainda não tem data oficial, serão trazidos da Alemanha os equipamentos que fazem o enriquecimento do biogás. Inicialmente, a Sabesp adaptará 49 veículos de sua frota e iniciará estudos de adaptação dos equipamentos e dos motores. O objetivo é produzir no Brasil os equipamentos similares aos trazidos da Alemanha.
CONSCIENTIZAÇÃO
A ETE de Franca produz, diariamente, 2.710 m3 de biogás em seus digestores. Essa quantidade é suficiente para gerar 1.897 m3/dia de biometano. Cada metro cúbico de biometano equivale a 1 litro de gasolina. De acordo com a assessoria, essa quantidade representa 10% do consumo atual de álcool e gasolina de toda a frota da Sabesp no Estado de São Paulo.
Com a implantação do projeto, a Companhia pretende participar dos esforços globais para a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa. Segundo estimativa da organização ambiental World Resources Institute, sediada em Washington, nos Estados Unidos, cada litro de gasolina emitiria cerca de 22 a 24 gramas de CO2 (gás carbônico). Com o experimento em funcionamento, pode haver a redução de aproximadamente 16 toneladas de dióxido de carbono por ano, só com o reaproveitamento do gás.