08 de julho de 2026

Doutores da voz


| Tempo de leitura: 5 min
Alessandra Moraes não se arrepende da escolha que fez: ‘Confesso que me encantei pela fonoaudiologia. Superou todas as minhas expectativas’

Se você já assistiu ao filme 2 Filhos de Francisco, em que conta a história dos sertanejos Zezé di Camargo & Luciano, com certeza deve lembrar daquela cena em que os dois, quando crianças, são forçados pelo pai a comer ovo cru para melhorar a voz? Também já deve ter ouvido falar muito de simpatias como essa: “pegue três pedrinhas na rua e três pedrinhas de sal grosso. Por três dias seguidos ao sair de casa coloque a pedrinha de sal sob a sua língua e a pedra que encontrou na rua jogue para trás sem olhar. Sua voz vai ficar uma beleza só”. Bom, superstições à parte, a melhor alternativa quando se está com algum problema na fala é procurar ajuda profissional. Essa pessoa é o fonoaudiólogo. Um especialista em diagnosticar e dar o tratamento adequado para cada tipo de problema com o intuito de proporcionar uma comunicação de qualidade.

Foi ao conhecer o trabalho deste profissional que Alessandra Oliveira Moraes, 34, escolheu sua profissão. “Convivi com uma criança que tinha muitas dificuldades para falar. Em decorrência disso, ela passou a fazer fonoterapia e os resultados foram surpreendentes, o que me chamou atenção para esta área que, até então, eu desconhecia. E ao pesquisar sobre a Fonoaudiologia me encantei e resolvi seguir carreira.”

Alessandra se formou pela Unifran (Universidade de Franca) e exerce a profissão há 13 anos. Nunca se arrependeu de sua escolha. “Confesso que me encantei. Superou todas as minhas expectativas.” Já experiente ela pontua as principais características que deve ter o fonoaudiólogo. “O profissional deverá ter interesse pelas relações humanas, preocupando-se em investir na forma como irá lidar com o paciente. Não basta ser um bom técnico em saúde. Pois, conforme tenho observado, muitos profissionais priorizam o domínio da técnica sem se ater que o dia a dia desse profissional é pontuado pelo atendimento de seres humanos com problemas dos mais diversos tipos. E é bom ficar claro que é justamente nesse cenário de fragilidades que o profissional de saúde atuará.”

Quando o assunto é o bom desenvolvimento da comunicação, esse fonoaudiólogo não restringe idade. “Não há restrição de idade quanto ao tratamento. A atuação de um fonoaudiólogo não se determina pela faixa etária do paciente, mas sim pela natureza do problema submetido à terapia.” Quando bebês, o tratamento é feito para promover o desenvolvimento adequado da fala. No caso das crianças, o atendimento é indicado quando há o atraso da fala nos primeiros anos de vida. Já o adulto pode recorrer ao fonoaudiólogo em diversas situações como distúrbios de deglutição, mastigação e/ou sucção, problemas de voz, dificuldade de comunicação, como sequelas de doenças neurológicas, entre outros.

Segundo Alessandra, a voz exige cuidados especiais, principalmente de quem a utiliza profissionalmente como professores, cantores, locutores, atores, advogados, políticos, entre outros. “A rouquidão e outros sintomas típicos como a dor, ardor, sensação de bola na garganta, cansaço ao falar, falta de ar podem estar relacionados a várias causas. O melhor é procurar o médico.”

MERCADO DE TRABALHO
O mercado de trabalho não se limita apenas ao consultório. “Hoje há uma conscientização da necessidade da atuação multidisciplinar para um atendimento mais eficaz. Assim como é visível em outros centros urbanos de referência, Franca possui uma oferta considerável de profissionais no setor. Contudo, há uma demanda da população em busca de atendimento especializado. Portanto, entre a oferta e a busca pelo serviço em questão, prevalecerão aqueles que melhor atenderem a necessidade da população.” De acordo com Alessandra Moraes, o salário em início de sua carreira depende muito de sua área de atuação com remuneração variando R$ 1.500 a R$ 2 mil.


Saiba um pouco mais sobre a Fonoaudiologia

O que é ser fonoaudiólogo?
São profissionais que atuam na promoção, prevenção e adequação da comunicação oral e escrita, voz e audição e funções de mastigação, deglutição e respiração. Além de prevenir o desenvolvimento da doença, o fonoaudiólogo pesquisa e avalia suas possíveis causas para depois aplicar a terapia capaz de curá-la. Ele trabalha com indivíduos de todas as idades, desde o recém-nascido até o idoso.

Quais as principais características para se tornar um bom fonoaudiólogo?
Ter sensibilidade
Capacidade de interpretação e análise
Facilidade para comunicar com os pacientes
Paciência
Objetividade
Paciência
Criatividade

Qual a formação necessária?
É preciso cursar fonoaudiologia em uma instituição de ensino superior. Em Franca o curso é ministrado pela Unifran (Universidade de Franca) com duração de oito semestres. São oferecidas 60 vagas diurno e 60 noturno. A mensalidade inicial é de R$ 598. O valor é correspondente a este ano, com o processo seletivo pode sofrer reajustes

Quais são as principais atividades de um fonoaudiólogo?
Este profissional trata principalmente dos problemas da fala e audição. Mas também pode tratar de distúrbios como surdez, mudez, gagueira e problemas de dicção. O diagnóstico é dado após exames feitos no paciente

Quais são as áreas de atuação?
Audiologia - prevenção, diagnóstico e reabilitação da função auditiva. Tem como objetivo garantir a comunicação e a qualidade de vida do paciente

Linguagem - voltado para o estudo, pesquisa, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento de transtornos relacionados à fala

Motricidade Orofacial - prevenção, avaliação, diagnóstico, desenvolvimento, habilitação, aperfeiçoamento e reabilitação dos aspectos estruturais e funcionais das regiões orofacial e cervical

Voz - voltado para o estudo e a pesquisa da voz, avaliação e aperfeiçoamento da voz e ainda diagnóstico e determinação do tratamento adequado

Saúde Coletiva - elaboração de estratégias de planejamento e gestão em saúde, no campo fonoaudiológico com o objetivo de intervir nas políticas públicas

Como é o mercado de trabalho?
O profissional pode trabalhar em clínicas, em empresas, hospitais e escolas. O trabalho pode ser feito em parceria com outros profissionais como médicos otorrinolaringologistas, cirurgiões de cabeça e pescoço, pediatras, neurologistas, bem como psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e dentistas