Principal destaque da Francana na Copa Paulista e artilheiro do time, com 6 gols, o lateral/meia Patrick esteve na manhã de terça-feira visitando as instalações do GCN Comunicação, juntamente com o técnico Wantuil Rodrigues e o goleiro Jordan.
Durante uma longa entrevista concedida a reportagem do Comércio da Franca, Patrick de Oliveira Vieira, de 20 anos, relatou pontos de sua curta carreira como jogador, do que achou da experiência de atuar no futebol paulista, o que sentiu no momento de seu primeiro gol como profissional, marcado pela Francana contra o Comercial, em Ribeirão Preto, e também da violência sofrida durante o torneio.
Com o passe preso ao América-MG, o jogador tem contrato de empréstimo com a Veterana até maio de 2012. Contudo, se houver um chamado por parte do clube mineiro, ele poderá deixar a cidade a qualquer momento. Não é esta sua vontade. Patrick manifestou interesse em permanecer no clube esmeraldino para disputa da Série A-3. “Gostei muito daqui e acho que desenvolvi um bom futebol. Claro que não depende só de mim, já que o dono do meu passe é o América-MG. Mas quero voltar e ajudar o time a conquistar o seu principal objetivo em 2012 que é subir de divisão”, declarou.
Sobre a eliminação na copinha, o jogador lamentou o episódio. Segundo Patrick, a equipe tinha potencial para se classificar à fase de mata-mata. “A desclassificação não estava em nossos planos. Poderíamos ter ido mais longe na competição, mas acabamos saindo em consequência de nossos próprios erros”, disse. O atleta deixou ontem Franca rumo a Machado-MG, sua terra natal.
EXPERIÊNCIA
Valeu muito defender a Francana na Copa Paulista. Tínhamos um time muito jovem, com apenas Régis e Cléber como jogadores com mais experiência no futebol e passagens por clubes da Série A-2 e A-3. Pela pouca idade do grupo, deixamos a desejar em alguns aspectos relacionados a atitudes qualificadas como fruto da inexperiência. Mas tudo isso servirá de lição para não errarmos na A-3 do ano que vem.
PASSAGEM POR FRANCA
Em 2007, quando eu estava na base do Cruzeiro, o Wantuil já queria me trazer para cá. Na época, meu pai achou cedo e não deixou. Depois fui para o América-MG e disputei o campeonato de juniores. Com a parceria com a Francana, o Wantuil entrou em contato comigo e disse que aqui teria jogadores de qualidade, tanto é que vieram 15 atletas do América. Fiquei feliz, por ter atuado pela primeira vez como profissional. Apesar de conhecer pouco de Franca, já sabia que é uma boa cidade. Gostei muito de atuar aqui.
LATERAL OU MEIA
Quando fui para o Cruzeiro jogava de meia. Em 2006, ocorreu um episódio de adulteração na idade de um atleta na categoria infantil e o treinador me designou para a lateral-esquerda. Trabalhei normalmente até inverter o lado do campo. Sei que é uma posição carente no futebol e decidi ser lateral. Para ter sucesso, o jogador tem que ter persistência. Só assim, ele cresce na profissão.
ESPECIALIDADE: FALTAS
Fiquei feliz pelos gols que consegui marcar. Procuro alternar as batidas com uso de velocidade, onde dificulta ainda mais para o goleiro, e (a bola) colocada. Na base do Cruzeiro, tive um grande treinador, o Edu Lima, que já atuou como profissional. Ele ensinava os atletas interessados a bater na bola e cobrava bastante de todos. Eu me interessei e acreditei que poderia ser um bom batedor de falta. Mas sei que ainda tenho que melhorar muito e devo treinar cada dia mais.
PRIMEIRO GOL
Eu era novo em Franca e não sabia da rivalidade com o Comercial e Batatais. E graças a Deus fiz meu primeiro gol como profissional justamente contra o Comercial. Ficará para sempre na minha cabeça esse gol, por ter sido o primeiro e contra um adversário importante para a cidade. Se um dia ter filhos, espero contar a eles esse momento.
O MAIS BONITO
Escolher o gol mais bonito? Para mim foi contra o São Bernardo, fora de casa (2 a 2). A jogada em si foi bonita. Acabei lançando o João Marcelo no ataque e acompanhei a jogada. Ele devolveu a bola e eu bati de fora da área.
CORNETAGEM
Digo que um grande jogador tem que saber lidar com as críticas. O torcedor paga o ingresso e tem o direito de cobrar o time. Lógico que às vezes (os torcedores) cobram situações que não têm nada a ver e chegam a extrapolar. Mas basta a gente, dentro de campo, fazer nosso papel e vencer as partidas.
CAÇADO EM CAMPO
Posso dizer que quando fui para o meio de campo apanhei mais. Naquele jogo em São Bernardo levei uma joelhada nas costas, que travou tudo. Tive que sair de campo. Em Lins não foi diferente. Alguns jogadores falaram que iam quebrar minha perna. Acho que essa intimidação é bom, pois reconhece o seu trabalho em campo. Digo que se o cara (jogador) está batendo, vou continuar indo para cima até conseguir a expulsão.
CONTUSÃO
Em 2009, eu machuquei o joelho no América-MG em uma partida contra o Atlético-MG pela categoria juniores. Nada de grave, mas fiquei dois meses parado. Tive uma lesão no ligamento colateral medial, mas não precisei fazer cirurgia. Essa foi a contusão mais grave que tive.
FICA OU SAI
Tive algumas reuniões com o pessoal do América-MG. Eles despertaram o interesse na minha volta. Um diretor (não identificado) me perguntou se queria voltar ou permanecer em Franca. Disse que estava feliz e que quero ficar aqui para jogar. Lá, eles “preservam” muito os pratas da casa. Mas se tiver que voltar, irei cumprir o contrato (o América-MG tem total autonomia de pedir o retorno imediato de qualquer jogador cedido por empréstimo). Acho que fiz um bom trabalho aqui e quero muito voltar para ajudar o time na Série A-3.
FAMÍLIA
Sou da cidade de Machado, Minas Gerais, próximo a Poços de Caldas. Meu pai é gerente de cooperativa. Ele sempre gosta de acompanhar minha carreira, mas nesse segundo semestre passamos por alguns “probleminhas” por lá e não deu para ele acompanhar os jogos com mais frequência. Minha mãe é dona de casa. Eles vieram a Franca e assistiram a partida contra o Palmeiras B (2 a 2). Cheguei a marcar o gol, mas o árbitro deu gol contra.
NAMORADA
Não tem ninguém não. Namorei por três anos e hoje estou solteiro. De momento, quero pensar no meu futuro como jogador (respondeu aos risos).
PRIMEIRO SALÁRIO
Quando assinei meu contrato com o América-MG, gastei meu primeiro salário quase todo comprando roupas e comida. Namorava na época e também presenteava minha namorada. Com o primeiro pagamento você acaba querendo fazer mil coisas. Percebe rapidamente que não dá.