Andar de cavalo pelas ruas de Ibiraci (MG) sempre foi algo corriqueiro para a população local. Mas por conta de uma lei do Código de Postura do município, quem está acostumado a cavalgar pela cidade agora tem uma preocupação a mais. A Prefeitura proibiu a permanência de mulas, éguas, cavalos e similares na área central, principalmente na Praça Raul Soares de frente à Igreja Matriz.
A polêmica começou quando moradores da região, comerciantes e frequentadores de uma feira dominical passaram a reclamar do descuido com os animais que ficavam arramados nas árvores horas seguidas, sem serem alimentados, além do mau cheiro provocado pelas fezes e a urina e o risco de coices.
“O que estava acontecendo é que aos domingos nós temos uma feira livre na praça. Daí, os cavaleiros de final de semana iam para a praça, amarravam os cavalos nas árvores e iam tomar cerveja. Os animais ficavam sem alimentação, colocava em risco a integridade das pessoas que podiam tomar um coice e ainda as fezes dos cavalos atrapalhavam a feira que também comercializa alimentos”, disse o prefeito Ismael Silva Cândido (PT).
Diante do problema, Cândido determinou que fossem confeccionadas placas para cumprir uma legislação antiga sobre o assunto. A lei é de 1981 e também não permite que os animais sejam amarrados em postes, árvores ou porta e conduzidos sobre passeios ou jardins da cidade.
A fiscalização ocorre por meio de um convênio com a Polícia Militar, que também cuida do trânsito, e prevê advertências verbais, notificações e até apreensões no caso de cavaleiros desobedientes. As multas variam de R$ 4,49 a R$ 89,90. Segundo o prefeito, desde que a lei voltou a ser imposta, há dois meses, nenhum cavalo ou cavaleiro foi preso. “Tudo tem sido resolvido no diálogo e é importante ressaltar que não somos contra os cavaleiros ou muleiros. Achamos importante preservar a tradição, por isso apoiamos o clube hípico de Ibiraci nos eventos que realizam. A lei é para disciplinar.”
Para o comerciante Elias Jorge, proprietário de uma loja de presentes na esquina da Praça Central, a iniciativa é válida pois mostra uma preocupação com os animais e com a segurança das pessoas. “Tinha gente subindo com o cavalo até em cima dos bancos, pulando a fonte, andando bêbado pela praça. Chegaram a amarrar um animal até na grade da minha casa que tinha acabado ser pintada.”
Segundo o prefeito, em média 12 cavalos e mulas eram amarrados em torno da praça aos domingos, número que superava o dobro em dias de festas e feriados. “Até mesmo durante a semana, tinha aqueles que vinham pagar conta e deixava o cavalo amarrado na porta do banco, dificultando a entrada e fazendo sujeira. O prefeito está certo de proibir”, disse uma senhora, também comerciante, que preferiu não se identificar.