Morreu na manhã do dia 20, quinta-feira, por volta das 12h30, Alcídia Ferreira Machado, a Cidinha Machado, conhecida professora e decoradora de Franca, vitimada por parada cardiorrespiratória em sua casa. Completaria 75 anos sábado.
Nascida em Buritizal, interior de São Paulo, chegou a Franca ainda jovem e se casou com Dário Valério Machado, que morreu em 1997 e foi proprietário do extinto Supermercado Dário, dos mais tradicionais estabelecimentos comerciais da cidade. Vocacionada aos trabalhos manuais, Cidinha se formou professora de artes com a primeira turma de Educação Artística da Universidade de Franca e, sem abrir mão de ajudar o marido no supermercado durante a tarde, passou a lecionar à noite.
Ao longo de mais de 20 anos, trabalhou na Escola Estadual “Professor Otávio Martins de Souza”, onde fez amigos e deixou saudade. Também trabalhou no Magazine Luiza e foi proprietária de duas lojas de artigos de decoração. Recentemente, atuava com decoração de festas, a exemplo do Baile dos Professores, cuja última edição foi realizada dia 21.
Filha do comerciante João Ferreira Lacerda e da dona de casa Geracina de Paula Silveira, já falecidos, Cidinha deixa dois filhos: a dentista Renata Valéria (casada com Fabiano Martiniano) e o representante comercial Henrique César (casado com Bianca Regina). Também deixa os netos Marcela, Helena e Gustavo. Conhecida pelo caráter altruísta, a professora sempre esteve engajada em eventos beneficentes e recebeu vários prêmios por sua atuação filantrópica na cidade.
Marcela Machado Martiniano lembra apenas de coisas boas quando fala da avó. Ela conta que Cidinha era muito alegre, adorava organizar festas e sempre procurava alegrar o ambiente em qualquer lugar que estivesse. “Nunca me esqueço de quando eu era criança e comemorávamos o dia dos avós em nossa escola. Minha avó animava a todos e sempre roubava a cena. Não tinha quem não ficasse feliz com a presença dela.”
Elza Secco Nascimento, vice-diretora da Escola Estadual Otávio Martins de Souza, onde Cidinha trabalhou por muito tempo, destaca, entre os atributos da colega, a disposição, e lembra que a maioria das festas era decorada pela professora, que, detalhista e perfeccionista, tornava referencial o que tocava. “Tudo era feito com muito carinho e, mesmo quando não estava envolvida diretamente no trabalho, arrumava uma forma de dar uma ajudinha.”
A filha, Renata Valéria, guarda admiração pelo talento e persistência da mãe, que se empenhava ao máximo em tudo o que fazia e jamais se intimidava frente a um desafio. “Não havia obstáculos para ela. Minha mãe era muito animada. Seu nome era ‘alegria’”, disse.
Maria de Lourdes Maritan Sanches conheceu Cidinha há mais de 55 anos, quando trabalhava no Magazine Luiza. Tornou-se uma das grandes amigas da decoradora. Lourdes diz que a característica mais marcante da amiga era o dom, não só para trabalhos manuais mas, também, para cozinhar. Emocionada, a educadora aposentada que contou ter orgulho de tudo o que a amiga fazia, sobretudo pelo bem das pessoas, a comparou ao “Menino do dedo verde”, personagem principal do livro de Maurice Druon, publicado em 1957. “Ela era maravilhosa. Onde colocava o dedo, florescia.” Cidinha foi velada no São Vicente de Paulo e sepultada no dia 21, às 16h, no Cemitério da Saudade.