09 de julho de 2026

Presidente do Franca Basquete marca saída de Hélio Rubens


| Tempo de leitura: 8 min
NOVO TÉCNICO - Luís Carlos Teixeira, presidente do Franca Basquete, diz que convidou Helinho para assumir o lugar do pai, mas o armador não aceitou

Equacionar um orçamento pouco superior a R$ 220 mil mensais, sob os olhares atentos de 330 mil técnicos de basquete é a missão diária de Luís Carlos Teixeira à frente do Franca Basquete. Contudo, nem o momento difícil do clube diminui seu otimismo. Em entrevista ao Comércio da Franca, ele expõe os motivos do fracasso da equipe no último Campeonato Paulista, admite que errou na montagem do elenco, critica a Feac (Fundação Esporte, Artes e Cultura) por ter “reformado” o Ginásio do Póli durante a competição, revela que o clube terá de se defender por ter dispensado Brian Woodward - americano contratado machucado pelo clube - e o mais surpreendente: marcou data para a aposentadoria do técnico Hélio Rubens Garcia, 71.

“Conversamos bastante nos últimos tempos e ele quer levar uma vida mais tranquila, pacata, ligada à família”, afirmou. A ideia é fazer do NBB 4 e da próxima edição da Ligas das Américas suas últimas competições oficiais. Segundo Teixeira, um novo técnico comandará o Franca Basquete na próxima edição do Estadual. O dirigente nega que os fracassos recentes - eliminações na Liga Sul-americana, Campeonato Paulista e perda da final do NBB, além do jejum de títulos - sejam a causa da saída do treinador, recordista de títulos nacionais, com nove.

O dirigente rasgou elogios a Hélio Rubens Garcia: “O Franca Basquete deve muito a ele. Até os patrocínios que hoje o clube possui eu posso dizer que vieram das mãos de Hélio Rubens”. Quanto ao futuro imediato, Teixeira, um empresário do ramo imobiliário e jogador de basquete nos finais de semana, se diz tranquilo em relação às críticas dos torcedores e se mostra extremamente confiante em poder unir a última temporada do técnico à conquista de um título nacional. “Talvez seja este o momento de a gente ser campeão. O que precisamos é que a torcida acredite. Teremos ginásio novo, equipe renovada e brigaremos para ir as finais do NBB 4”.

Comércio da Franca - O Franca Basquete vive um momento difícil. A diretoria tem sido fortemente criticada e o trabalho de Hélio Rubens Garcia, contestado. Há informações de que o treinador disputará em 2011 sua última temporada à frente do clube. O senhor confirma?
Luís Carlos Teixeira -
A informação procede. Vou revelar um fato que muitos desconhecem. No ano passado, quando participamos da Liga Sul-Americana, fomos eliminados e o prefeito veio a público criticar o Franca Basquete. O Hélio Rubens me procurou e colocou o cargo à disposição. Obviamente, não aceitei porque para nós é um privilégio tê-lo como técnico. Foi uma decisão acertada. Tanto é que levamos aquele time, considerado na época medíocre, ao vice-campeonato nacional. Posteriormente, o Hélio, em uma reunião, revelou que queria deixar o comando do Franca Basquete. Conversamos e acertamos que, em princípio, esta será sua última temporada.

Comércio - A ideia é fazer do NBB 4, que começa agora em novembro, sua despedida e então iniciar o Paulista de 2012 com um novo técnico?
Teixeira -
Este é o desejo dele. Depois de tantos anos, eu também acho que ele tem direito de viver sua vida privada. Ser treinador de uma equipe exige muito. Conversamos bastante e estabelecemos um período de transição para um próximo treinador.

Comércio - O principal nome para sucedê-lo é o do Helinho?
Teixeira - Neste momento ainda não aventamos, inclusive porque eu gostaria que o próprio Hélio Rubens tivesse uma participação na escolha. Quero seguir esta escola francana de basquete. Precisamos de alguém que possa almejar chegar ao nível que ele [Hélio Rubens] chegou. Tem que ser um técnico com a mesma linha de pensamento do basquete atual, ou seja defesa forte e um treinamento físico intenso. Esta pessoa ainda precisa de um visão ampla de jogo.

Comércio - O senhor não disse se o Helinho substituirá o pai...
Teixeira -
Eu já o consultei algumas vezes. Ele diz que este não é o momento adequado para ele. Obviamente, as coisas podem mudar. O Helinho tem se preparado, ele fez educação física, licenciatura, bacharelado. É alguém que considero uma grata opção, mas não posso impor essa situação se não é desejo dele.

Comércio - Há vários francanos espalhados em clubes pelo Brasil. Algum pode ser a solução?
Teixeira -
Qualquer um dos nomes conhecidos [Chuí, João Marcelo, Carlão, Guerrinha, Daniel Wattfy, Demétrius] pode ser contratado para comandar o Franca Basquete.

Comércio - O senhor contrataria um técnico estrangeiro como fez a CBB?
Teixeira -
É possível, mas eu particularmente gostaria que este treinador fosse formado na escola francana.

Comércio - O que falta para definir este nome?
Teixeira -
Cada coisa deve ser pensada no tempo correto. Temos um campeonato nacional a ser jogado e não podemos desviar o foco. Nosso treinador é o Hélio Rubens e nosso elenco tem sete adultos, três estrangeiros e alguns juvenis. Vamos trabalhar para conquistar o Nacional e participar de forma brilhante da Liga das Américas.

Comércio - A falta de um título expressivo nos últimos anos influencia na saída do técnico Hélio Rubens?
Teixeira -
Não. Estatisticamente, o Franca Basquete em sua história conquista em média um título a cada cinco anos. O último Paulista foi em 2007. Além disso, você esquece que fomos campeão da Supercopa.

Comércio - O senhor está satisfeito com o trabalho do técnico Hélio Rubens em sua gestão?
Teixeira -
Tenho total confiança nele. O Franca Basquete deve muito a ele. Até os patrocínios que hoje o clube possui eu posso dizer que vieram das mãos de Hélio Rubens. E, ao contrário do que muitos dizem, ele não recebe comissão nem percentual.

Comércio - O senhor assumiu que errou na montagem do elenco para o Paulista. Mas isso não é atribuição do treinador?
Teixeira -
Não. O treinador goza de total confiança por parte da diretoria. O erro foi um conjunto de fatores que levou a equipe a não ter um bom resultado. Não jogamos em casa, pois o Ginásio do Póli estava em reformas, erramos ao decidir usar oito adultos e não dez no elenco e também ao contratar um estrangeiro que depois tivemos de dispensar. A derrocada no Paulista não pode ser atribuída apenas ao técnico.

Comércio - A reforma do piso do Póli influenciou? Vocês não conversaram com a Prefeitura para acertar uma melhor época?
Teixeira -
Por mais que tenhamos pedido, a Prefeitura realizou a reforma em agosto e setembro, período do Estadual. Eu acho que a Feac, através do Reginaldo [Emídio], deveria ter adotado um procedimento mais adequado, ou seja, conversado conosco e não simplesmente comunicado. Considero hoje a administração da Feac um retrocesso nas relações do esporte na cidade. Algumas coisas poderiam ser menos desgastantes.

Comércio - Como se pode resgatar a relação do clube com seus torcedores?
Teixeira -
Sempre que entramos [em uma competição] queremos ser campeões. A gente quer ganhar até par ou ímpar. Passamos por alguns períodos difíceis, mas acho que agora talvez seja o momento de a gente ser campeão. O que precisamos é que a torcida acredite e apóie. No NBB, vamos estar com ginásio novo, equipe renovada e, com certeza, vamos brigar para chegar às finais.

Comércio - Nos últimos anos, o clube contratou 11 estrangeiros e nenhum deu certo. Por que os próximos três [Jermanie Johnson, Kevin Sowell e Eddie Basden] serão diferentes?
Teixeira -
Fazemos as contratações basicamente por exames de vídeos que recebemos de agentes. A segunda etapa é um contato com treinadores, ex-técnicos e, eventualmente, olheiros e ex-companheiros destes atletas. Estes três jogadores vêm com boas recomendações. O Eddie Basden, por exemplo, tem passagens pela NBA e Euroliga. Todos farão exames médicos criteriosos e passarão por uma semana de testes. Somente após este período, serão consolidadas suas contratações.

Comércio - Porque isso não foi feito com o Brian Woodward?
Teixeira -
Na realidade, identificamos uma cirurgia que ele fez dez anos antes no joelho. Ele nunca teve problemas e nos disse que não teria. Acho que a intensidade dos jogos e de nossa preparação física fez com que o problema dele ressurgisse. Nós comunicamos os fatos ao seu agente e propusemos a rescisão contratual. Tivemos um prejuízo enorme com isso ...

Comércio - O senhor diz que a contratação dos três estrangeiros aumentará a bilheteria. Quanto espera de público no NBB 4?
Teixeira -
Eu gostaria de ver duas mil pessoas por jogo, em média. É um número que levará o Franca para a liderança de bilheteria no nacional. No ano passado, tivemos 1.600.

Comércio - O senhor se mostra muito otimista, apesar das críticas que vem recebendo...
Teixeira -
O torcedor tem paixão pela equipe. Como dirigente, temos de entender que o torcedor tem o direito de criticar e nós temos de ter tranquilidade para ouvir, selecionar aquilo que ajuda, é construtivo, e descartar o que sabemos vir da paixão de um torcedor. Estamos fazendo um trabalho para engrandecer o clube. É difícil. Nosso orçamento até não é grande. São pouco mais de R$ 220 mil/mês contra R$ 600 mil do Brasília, R$ 450 mil do Pinheiros e R$ 500 mil do Flamengo, por exemplo.

Comércio - As críticas incomodam o senhor?
Teixeira - Claro. Antes de ser dirigente, sou um torcedor apaixonado pelo basquete. Cobranças que saem do cunho profissional e administrativo e entram pelo lado pessoal realmente chateiam a gente. Mas, o pior é quando lançam dúvidas sobre a lisura e a moral da gente.

Comércio - Os jogos agora serão no Póli. O senhor não tem medo de enfrentamentos?
Teixeira -
Não. Nossa torcida é a que mais entende de basquete no Brasil. Tenho certeza de que, com a reabertura do Póli, iremos receber muitos torcedores. Temos 330 mil técnicos de basquete em Franca.

Comércio - Ao deixar o cargo, o senhor voltará a ser torcedor?
Teixeira -
Ah, certamente. Estou com muita saudade disso.

Comércio - E vai xingar o presidente?
Teixeira -
(risos) Acho que sim.