08 de julho de 2026

As contas do basquete


| Tempo de leitura: 5 min

Se ninguém cobra, a memória coletiva esquece. Então, recordar é preciso

Conversei, esta semana, com fonte crível, com quem troquei considerações sobre o basquete de Franca. Algumas das ideias, resolvi trazer para esta coluna. Acredito que estes dados podem ajudar a iníciar debate que precisa ser empreendido sobre a modalidade esportiva que, como já disse, meu pai ajudou a implantar na década de 20 do século passado e tantos outros elevaram à condição de quase religião, constituindo nesta cidade as equipes mais vencedores do País, a torcida que melhor entende deste esporte e, por extensão, regozijo pela melhor ferramenta de marketing que uma comunidade possa sonhar em ter. Então, vamos lá:

• Entre 2006 e 2011, as receitas financeiras aplicadas cresceram em torno de 144%. Em contrapartida, o rendimento das equipes, caiu: há seis temporadas houve a conquista do título paulista, fato repetido no ano seguinte. Em 2011, pela terceira vez seguida, a equipe não chegou à disputa de título paulista;
• Em 2006, ano no qual Hélio Rubens voltou a Franca para comandar o basquete – tinha deixado a cidade para trabalhar no Vasco da Gama e, depois, no Uberlândia – o clube viveu ‘vacas magras’ financeiras. A indústria Mariner, patrocinadora principal, pagava R$ 20 mil mensais para estampar a camisa – valor 8 vezes menor que o atual patrocinador paga. Havia também a Unimed (R$ 15 mil mensais ) e a FEAC (Fundação de Esporte, Arte e Cultura), com R$ 15 mil mensais. O restante vinha de placas de publicidade e de sócios torcedores, cerca de R$ 20 mil por mês. Estes números foram divulgados pela imprensa durante aqueles anos, pois o clube nunca abriu suas contas publicamente;
• O retorno de Hélio Rubens a Unimed a elevar seu patrocínio para R$ 50 mil, mais 20% em planos médicos; e a que a Prefeitura dobrasse sua parceria, de R$ 15 mil para R$ 30 mil. Com as restantes ações, a receita média do clube alcançou R$ 100 mil;
• Tal montante seria mantido até meados de 2008. Na renovação a direção do clube optou por romper com a Unimed – que pretendia continuidade para a parceira – e anunciou a Vivo como patrocinadora principal: R$ 110 mil/mês. A Vivo, um ano depois, renovaria por valor ainda maior, a FEAC manteria participação e os dinheiros se ampliariam, mas não havia mais resultados importantes em quadra. Tinha sido com a Unimed a última conquista importante: a Super Copa de Basquete, torneio disputado por times paulistas dissidentes do Campeonato Brasileiro;
• Entre 2006 e 2011, além do bi-estadual de 2006 e 2007, o clube ficou com o vice do ano seguinte. A partir daí, declínio: terceiro, em 2009; quarto, em 2010; sexto em 2011. Para amenizar, três vices: sulamericano e brasileiro em 2007, e o NBB, ano passado. Nesse período aconteceram três edições do NBB e, ao menos, 4 torneiros internacionais – 2 Ligas Sulamericanas e 2 Inter-Ligas Brasil/Argentina – a maioria com eliminações prematuras.
• Se em outubro de 2006 o clube tinha que “se virar” para cobrir despesas com R$ 100 mil mensais, estima-se que em outubro deste 2011, os cofres teriam receita próxima de R$ 268 mil/mensais, um incremento médio de arrecadação em impressionantes 144%! E a conta é simples: em junho de 2010, a Vivo antecipou prorrogação do contrato até 2014. Além do tempo de contrato, os valores também aumentaram: R$ 165 mil mensais. Em julho deste ano, foi a vez da Amazonas, co-patrocinador, aplicar mais: R$ 35 mil mensais, ante R$ 25 mil anteriores. A FEAC continua presente: R$ 32 mil mensais, em média. Especula-se ainda que, aproximadamente, R$ 36 mil viriam, hoje, de sócios torcedores e ações publicitárias à cada mês.
• Trata-se de poderio financeiro ineficaz, se comparado à época “paupérrima’ da história recente do clube. Na época anterior, com menos dinheiro, o clube alcançou o ‘bi’ estadual, o vice sul-americano e chegou à decisão de um nacional paralisado. Com receitas maiores e expressivas, chegou a apenas dois vice campeonatos – paulista e NBB – em 11 torneios disputados. No último – e ninguém se esquece – vexatória eliminação do estadual, por 3 a 1, para o São José. E pior: a melancólica despedida aconteceu em casa, diante da torcida.
• Há mais. Por conta de dinheiro público investido no processo, o balancete do Franca Basquete deveria ser aberto publicamente, mas não. Com o estlo ‘segredo de Estado’ com que a direção do clube trata suas contas, não se imagina qual percentual de gastos se direciona a alguns dos contratados pelo clube, e se tal percentual impede a formulação de um restante de elenco competitivo. As tais “fases de testes” com americanos que carregam problemas físicos e, até, psicológicos; e as repetições desmedidas do mesmo processo, estimulam o livre pensar . A filosofia seria: “com sorte, encontrar o bom e barato”.

A torcida, que deveria ser ouvida, se irrita com a calma ensurdecedora e incompreensível da direção do clube e comissão técnica. Parece que apostam no “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. E já tem torcedor desistindo porque ninguém faz ou investiga nada. Ontem, no portal GCN, um torcedor jogou a toalha: “Não quero mais criticar a diretoria (do basquete). Quero, agora, torcer para nosso basquete voltar a ser um time competitivo.” Para ele – e para muitos, certamente – é só isso que conta.

VAMOS COMBINAR?
Para devolver alguns pingos aos ‘is’, vamos lá: não é Avenida Orlando Dom Pierre e nem Dompierre. É Dompieri. Não é Ismael Alonso e Alonso. É Ismael Alonso Y Alonso. E a rodoviária de Franca te, nome: é Antônio Pereira Lima. A pronúncia certa de Chioca, patrono da Avenida Dorivaldo Chioca - é Qui-ó-ca, e não Xi-ó-ca como, devagar, vai se tornando. Conheci-os, Orlando, excelente ator e exímio cozinheiro; Pereira Lima, deputado estadual francano, fundador da Guarda Civil do Estado de São Paulo; Chioca, ex-vereador e ex-Secretário de Promoção Social da cidade. Só não estive – infelizmente – com o Dr. Alonso, médico referencial e espírita cultuado por sua dedicação à benemerência. Então, estamos combinados: se a gente ouve e cala; apoia.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br