Hoje é comum festas, shows, eventos onde você paga o ingresso no qual inclui bebidas à vontade, além da atração do dia. Festas assim são chamadas “Festas Open”, ou seja, Open Bar, que na língua portuguesa quer dizer: bar aberto.
Graças a Deus, nem todo mundo aceita o desafio e o desatino de beber a noite inteira. Cada um tem lá a sua maneira de se divertir, o que não necessariamente precisa passar pelo excesso e nem pela bebida. Porém, para esse público seleto e quase abstêmio, o cenário é no mínimo degradante, desestimulante, horripilante. Se não fosse trágico, seria até cômico o que vemos quando estamos sóbrios.
Acho que a história acontece mais ou menos assim: Quem vai nessa? É festa “Open”; é cara, mas é “Open”. Então pode-se beber todas; tem que valer o preço. Quem vai encarar? É só esticar o braço e o copo fica cheio, e você vai saboreando, saboreando e em certa altura do campeonato, você apenas bebe, bebe, bebe.
A adrenalina tá a mil por hora, a cabeça tá ligada e o corpo também. Música, dança e muita bebida. Funk, rock, samba, sertanejo; cerveja, vodka, água, refri, tem para todos os gostos e é “Open”. E a festa vai rolando, a bebida também.
Opa, cuidado! Tem gente cambaleando... tropeça, balança mas não cai. E enche o copo de novo. Opa! Tem gente enrolando a língua, mas não afina e enche o copo de novo. Opa! Tem gente olhando e não sabe o que vê; e mais uma dose.
Entra a atração principal, já é hora. Mas, quem mesmo vai tocar? Não interessa, é festa, é alegria, é “Open”.
Ir ao banheiro vira uma odisséia. O caminho mais comprido que há: tem gente que cai, tem gente que escorrega, tem gente que vomita...Mas é “Open”.
“Open”- abra suas asas e solte suas feras - e aí você experimenta tudo o que é da ordem do DES: desconsolados, desarrumados, descontraídos, des-maridados, desposadas, desanimados, descompromissados, desatinados, desinibidos, desavisados, des-responsabilizados, desarmonizados, desvairados, etc.
Desconcertante... as feras ficam literalmente soltas, quando se decide fazer valer o que é “Open Bar”. E no dia seguinte, acredito, a tarefa maior provavelmente é fechar todas as portas dos DES que ficaram abertas. Ou não? Será que é natural?
Para aqueles que ficaram fora dessa, fica a sensação de estranheza daquilo que se viu e o entendimento de que o inferno pode ser bem mais próximo do que pensamos, sem dúvida nenhuma.