Contas bloqueadas pela Justiça, imagem desgastada perante a opinião pública, risco de desconto nos salários. Os vereadores não vivem um bom momento. Na sessão de ontem, Jépy Pereira (PSDB) encontrou a solução para fazer fluir melhor os trabalhos. Ele foi à tribuna e sugeriu a contratação de um pai de santo para benzer e “desamarrar” a Câmara. A inusitada sugestão foi apresentada após Joaquim Ribeiro (PSB) pedir o adiamento do projeto que tratava da reforma administrativa interna.
Presidente da Câmara por quatro mandatos seguidos, Joaquim tinha como meta fazer a reforma. Deixou o cargo no fim do ano passado sem conseguir o objetivo. A proposta prevendo a realização de concurso público e a valorização dos servidores com a concessão de benefícios e implantação do plano de carreira foi apresentada por Marco Garcia (PPS) este mês. A votação seria realizada ontem.
Joaquim alegou que não teve tempo hábil para tirar todas as suas dúvidas e pediu o adiamento por quatro sessões para que pudesse aprofundar os estudos. Defensor do projeto, Jépy se irritou ao perceber que a votação havia travado. Foi quando decidiu pedir a inusitada ajuda. “A coisa está muito amarrada na Câmara. Nada se pode fazer. Tudo é complicado aqui dentro. É necessário chamar um pai de santo para benzer e soltar os laços que estão amarrados para que a Câmara se torne produtiva, principalmente, para a população.”
Na opinião do vereador, a Câmara é econômica, tem um quadro reduzido de servidores e precisa ampliar seus quadros. “Não adianta querer fazer economia burra. A reforma administrativa é uma necessidade urgente, pois a administração se tornará inviável em breve por causa das constantes saídas de funcionário.”
O vereador Laércinho (PP) também se posicionou contrário ao pedido de adiamento. Ele disse que a ampliação do prazo não significaria que os colegas de plenário fossem estudar o projeto. “Eu mesmo posso ler 200 vezes e não vou entender. Mas, como não sou burro, procurei ajuda de quem sabe e já tirei as minhas dúvidas”, afirmou, revelando que foi se informar com o advogado e secretário de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto.
Válter Gomes (PSB) defendeu o adiamento. Ele disse que antes de aprovar o projeto é preciso fazer um levantamento do impacto financeiro que a reforma causará ao longo da carreira do servidor. Com um discurso inflamado, fez referências indiretas a atuais diretores da Câmara que chegam a receber de R$ 6 mil a R$ 13 mil. “Não podemos criar mais marajás aqui dentro, não. O estudo é necessário para que marajás não voltem a surgir nos seios da Câmara.” Encerradas as discussões, o projeto acabou adiado por uma sessão.