O assassinato do motorista José Pinto Neto, 51, do Jardim Luiza I, morto com dois tiros ao reagir ao assalto a um supermercado do Jardim Portinari no início da noite de terça-feira, deixou os comerciantes da zona norte assustados. Foi o segundo latrocínio (roubo seguido de morte) registrado na região em menos de um ano. No dia 22 de novembro do ano passado, o comerciante Fernando Pereira, 37, foi morto com três tiros na frente da mulher e duas funcionárias durante assalto à sua padaria no Jardim Vera Cruz I.
No dia seguinte à morte de José Neto, o assunto nas ruas do Portinari era um só: a insegurança. O supermercado na Avenida Doutor Abrahão Brickmann onde ocorreu o latrocínio abriu normalmente, mas proprietário e funcionários preferiram o silêncio. A reportagem do Comércio da Franca percorreu parte da avenida e conversou com oito microempresários da área. São donos de pequenos mercados, mercearias, lojas, farmácias e salão de cabeleireiro. “A gente fica assustado, porque a próxima vítima pode ser qualquer um de nós”, disse o proprietário de uma loja de materiais para construções, instalada na mesma quadra do supermercado onde ocorreu o latrocínio.
Ele, assim como os demais, teme a ação de bandidos e pediu para não ser identificado. A maioria afirma já ter sido vítima de ladrões e tem medo de se ver frente a frente com um bandido armado. Eles não reclamam do trabalho da Polícia Militar, mas pedem mais empenho no combate ao tráfico. “Os viciados praticam com frequência pequenos furtos nos estabelecimentos para trocar produtos por drogas. Acabar com a fonte que distribui as drogas representaria mais segurança”, frisou a proprietária de uma loja.
O CRIME
O latrocínio ocorreu pouco depois das 18h30 de terça-feira. Dois bandidos - um deles armado - tentaram assaltar um supermercado do Portinari. O motorista reagiu, agarrou um dos envolvidos e foi ferido com um tiro na mão, mas conseguiu jogar a arma no meio da rua. O outro assaltante pegou o revólver e atirou em José Pinto Neto, que estava no chão segurando o marginal. Ele morreu na Santa Casa. Os desocupados Valter Vaz dos Santos, 22, e Flávio Paulo dos Santos, 25, vizinhos no Jardim Luiza I, confessaram o crime.