08 de julho de 2026

Agenda para 2012


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Franca perdeu muito tempo com um governo autoritário, sem planejamento e sem um projeto de futuro. O governo Sidnei não desceu do palanque e, sem um projeto para a cidade, usou factóides e destemperos lamentáveis – como o da rodoviária – para esquivar-se de suas responsabilidades.

Tudo de ruim é culpa dos governos anteriores, embora seus próprios erros sejam muito mais mortíferos que qualquer dívida, como o caos no trânsito e o abandono da saúde, ou sua incapacidade de resolver os problemas da Santa Casa. São problemas gerados por suas próprias e equivocadas decisões políticas e que causam consequências terríveis para quem vive aqui, principalmente os mais pobres.

O mundo mudou dos anos 80 para cá, quando Sidnei governou pela primeira vez a cidade e a abandonou para cuidar de seu projeto político pessoal. Hoje, é preciso programar processos de planejamento de médio e longo prazo, com obras, ações e investimentos que garantam a sustentabilidade do desenvolvimento.

Governos autoritários e que não permitem a participação dos cidadãos na condução dos negócios públicos fazem as cidades retrocederem, pois atendem interesses localizados ou obscuros e não o maior número dos que vivem e trabalham nela. Não há debate de verdade sobre as demandas e reais necessidades e nenhuma clareza sobre as prioridades definidas no orçamento municipal.

Há, portanto, espaço e necessidade de uma nova agenda para as eleições municipais que se avizinham, que deveriam orientar o debate entre os diversos partidos políticos que pleiteiam a prefeitura. A falta de integração entre os organismos e as políticas que deveriam cuidar da habitação, transporte, saneamento e planejamento urbano, é evidente. O crescimento urbano continua extensivo e as poucas experiências de verticalização e adensamento não possuem qualidade urbanística.

O sistema de transporte precisa de uma intervenção vigorosa e que mude o rumo atual, que privilegia o automóvel individual, priorizando outra matriz de locomoção que permita melhorar calçadas, implantar ciclovias segregadas e realizar melhorias no sistema de circulação e integração por ônibus; cuidar das praças e áreas verdes de maneira que se tornem de fato espaços públicos de convivência coletiva, conectando atividades culturais e esportivas ao seu uso. Deve-se estruturar ações integradas ao cotidiano da vida de cada bairro, incluindo a participação da escola da região e da unidade de saúde, que tenham impacto positivo sobre a paisagem urbana e a melhoria das moradias.

É preciso intervir também na paisagem dos bairros, criando novas urbanidades e sociabilidades, através de micro-obras em esquinas e espaços públicos não utilizados, de maneira que se qualifique o bairro não apenas como um lugar de moradia, mas que permita o desenvolvimento de atividades que gerem emprego e renda no próprio bairro. Um outro tipo de cidade, mais humana e solidária, é possível. Mas para isso, é preciso mudar o que está aí.

Mauro Ferreira
Arquiteto e professor da FESP-UEMG