08 de julho de 2026

Chegou a hora de partir?


| Tempo de leitura: 3 min
Adriano Rodrigues deixou o emprego de quase quatro anos por se sentir estagnado; hoje usa o computador para trabalhar em casa e se preparar para concursos

O despertador toca. Hora de levantar. Mas cadê o ânimo para isso? Você quer qualquer coisa, menos sair da cama para ir para o trabalho que deixou de ser prazeroso faz tempo. Você está infeliz e sua produtividade já não é a mesma há meses. Também perdeu o interesse por tudo na empresa e não tem mais paciência nem com os colegas. Qualquer coisa o deixa de mau humor e o seu primeiro pensamento quando entra na empresa é: “Quantas horas faltam para ir embora?”. A situação está tão complicada que está partindo para a parte física. Entre os principais sintomas estão dores constantes de cabeça e estômago. Se você trabalha e, em algum momento sentiu alguns destes sintomas, talvez seja hora de repensar sua vida profissional. Talvez chegou a hora de partir para outra.

Adriano Rodrigues, 27, passou por quase todos estes estágios em uma escola particular que trabalhou. Mas tomar a decisão não foi nada fácil. “Pensei durante um ano se era a melhor alternativa. Percebi que a hora tinha chegado. Então pedi demissão.” Foram quase quatro anos na empresa em que entrou como estagiário. “Sou formado em Publicidade e Propaganda e fiz estágio na área, mas quando fui efetivado passei a atuar em um departamento completamente diferente da minha formação.”

Adriano também começou a prestar atenção ao redor. “Tinha uma colega com duas faculdades e estava fazendo um serviço inferior à preparação dela. Ela estava lá havia 15 anos. Fiquei pensando se a mesma história não estava acontecendo comigo.”

Antes de tomar a decisão, Adriano ainda tentou mudar de setor. “Mostrava que eu podia fazer mais. Mas não adiantou. Como não estava mais motivado resolvi sair.” Hoje, mais feliz, ele trabalha em casa em sua área (Publicidade) e começou a estudar para concursos. “Antes não tinha pique para nada. Só queria chegar em casa e dormir. Agora consigo estudar.”

A HORA CERTA
Na opinião da coordenadora de Recursos Humanos da agência de empregos Agiliza, Rosângela Baldini Silva, Adriano tomou a decisão certa. “Chega um ponto em que as duas partes estão perdendo. A empresa com a queda de produtividade e o empregado que está insatisfeito. Independente do tempo de casa, o melhor é buscar outro emprego.”

Segundo Rosângela, quando a empresa tem o Recursos Humanos, essa situação é percebida rapidamente. “Quando a pessoa começa a perder o interesse, a produtividade cai. O rodízio de funções pode ajudar muito.”

Para a gerente comercial do Boticário, Greyci Dias, a desmotivação é o primeiro sinal de que algo está errado. “As razões são variadas. O que mais acontece é a pessoa trabalhar apenas por necessidade financeira sem ter prazer no que faz. O grande segredo é ele se preparar bem para poder trabalhar em algo que lhe dê satisfação pessoal e profissional. Buscar evolução na profissão é fundamental. O empregado tende a acreditar que a empresa é responsável por sua carreira, mas na verdade é o próprio profissional quem deve gerenciá-la.”

Na opinião de Greyci, quando o funcionário se vê sem perspectivas de realizar seus objetivos pessoais e profissionais através de seu trabalho pode ter chegado a hora de desistir. “Às vezes uma conversa transparente pode resolver insatisfações e redirecionar a ação do profissional gerando novos desafios e motivação. Em outros casos onde não há perspectivas de mudança, a rescisão contratual pode ser o melhor caminho para a empresa e para o funcionário.”