Amor e paixão são sinônimos? Se não, qual é a diferença? Levei essa discussão para a sala de aula na universidade. Chegamos a conclusões que ora partilho. Paixão é algo avassalador, intenso, mas também é fugaz, passageiro, tem tempo determinado de sobrevivência. Amor é duradouro, profundo, pode começar pela paixão. Dependendo do universo no qual se trava a discussão, os sentidos são totalmente antagônicos. Veja no universo sertanejo: ‘amor é amor, romance é romance e um lance é só um lance! Se quer viver um romance, compre um livro, mas se quer viver um amor, fique comigo!’ Será?
Por que as pessoas traem? Por que casamentos de anos terminam? Não dá prá afirmar que casamento acaba só por falta de amor, paixão, romance. Esses elementos são importantes, mas não o mantém. Quando há traição, logo surge o sentimento de culpa na pessoa traída. O que fiz de errado? Por que ele(a) fez isso comigo? Por quê? Nenhuma resposta é convincente ou acertada. Uma coisa, porém, sei: o fim de um relacionamento não tem culpado. São, ambos,responsáveis.
Quando se ama, aceita-se o erro do outro. Quando se vive a paixão, tudo acaba. Não há espaço para o erro. Esquecemos que não somos perfeitos e em razão disso, cometer erros faz parte. Posso olhar meus erros e os erros do outro para me tornar alguém melhor, seguro e feliz, ou posso permitir que os erros dos outros destruam a minha vida e me torne infeliz. Aceitar os erros dos outros não significa permitir que se repitam, mas sim, que devo olhar para o outro e para mim enxergando que o traidor está em um momento de fraqueza, mas que deve haver superação pessoal dele. Deve abrir-se via para o perdão. A falta de perdão faz mal apenas para quem não perdoa. E o outro precisa entender que os atos praticados foram perdoados, mas que não há espaço para repetição.
Podemos amar as pessoas que nos fazem mal. Esse pensamento não é só religioso, mas regra de vida. Quando decido amar, mesmo a quem me faça mal, também eu supro uma necessidade minha. Se deixo de amar, rompo com a ‘lei da semeadura’ - somente se colhe aquilo que se planta. Logo, se amo, mesmo os que me fazem mal, receberei amor sempre; no entanto, se não amo e não perdôo, também sentirei a falta de amor e de perdão.
Em razão da profissão e do contato diário com pessoas, tenho percebido que qualquer julgamento que faça em face de erro do outro, sempre há grande margem de erro justamente porque as pessoas são diferentes. Ame e seja feliz. Perdoe e seja feliz. O errado já sente grande culpa pelo erro cometido.
Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário