08 de julho de 2026

Motoristas e acidentes


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Levantamento feito pela Polícia Militar com base nas informações contidas nos boletins de ocorrência mostrou que 85% dos acidentes ocorridos em Franca foram causados pela imperícia ou pelo abuso dos condutores. Uma constatação triste, é verdade, mas que não causa surpresa para quem experimenta diariamente as ruas e avenidas da cidade.

Com máquinas cada vez mais possantes, sejam elas carros ou motos, os motoristas transformam-se em armas perigosas. Ultrapassam limites de velocidade, desrespeitam a sinalização, avançam o sinal vermelho e acabam causando acidentes.

Infelizmente, não há muito que fazer, a não ser continuar insistindo na educação e aumentando o rigor das punições. Ainda não nos habituamos totalmente ao mundo das cidades. Apesar de rápido e intenso, nosso processo de urbanização é recente. Historicamente acostumados ao mundo mais livre do campo, os brasileiros encontram certa dificuldade para se adaptarem ao meio urbano, cheio de regras e proibições.

Por juntar muitas pessoas em um determinado espaço, as cidades exigem que abdiquemos um pouco mais de nossa individualidade, respeitando os direitos do outro. Andar pelas ruas, ir ao cinema, freqüentar a escola ou qualquer outra ação da vida cotidiana esbarra obrigatoriamente na relação entre pessoas. Quanto mais gente, mais disputa por espaços, direitos, produtos ou serviços, seja no trânsito ou em qualquer outro lugar.

Educar e conscientizar para a vida pública, portanto, deveria ser um objetivo não apenas de nossas autoridades, mas também de toda a sociedade civil. Porém, é preciso entender que toda a ação educativa acontece no tempo. É processo. Não pode ater-se apenas a campanhas esporádicas, quando se aguçam as relações e os problemas urbanos.

De qualquer forma, é preciso paciência. A consciência de que viver a urbanidade exige mais respeito ao próximo do que satisfação dos próprios desejos talvez ainda demore um bom tempo para se incorporar entre nós. O tempo histórico é sempre mais longo. Se olharmos para cidades mais antigas e maduras, sobretudo americanas e européias, fica fácil perceber sensíveis diferenças em termos de comportamento de seus cidadãos, não apenas no que diz respeito ao trânsito, mas também na manutenção da limpeza, no respeito ao próximo e em outros tipos de cuidados com aquilo que é público.

Mas também não podemos nos esquecer dos aspectos econômicos do problema, analisando-os sob dois prismas. O primeiro diz respeito às desigualdades entre os grupos sociais. Quanto maior for seu quociente, pior será a relação e o respeito entre eles, seja no trânsito ou em qualquer outro espaço da vida moderna. O segundo relaciona-se ao ato de punir, ainda bastante suave nos dias de hoje.

Nesse sentido, combater a desigualdade social e aumentar o rigor das punições tornam-se importantes ferramentas no combate a esse tipo de problema. Ambas, aliás, bastante educativas.