O trabalho do GCN foi amplamente discutido durante a reunião do Conselho de Leitores no dia 15. Desde o último encontro, em agosto, os conselheiros trocaram grande número de e-mails através da caixa de correspondência eletrônica que mantêm. As cerca de mil mensagens pautaram a reunião. As reportagens do Comércio da Franca, rádio Difusora e Portal GCN, seus personagens e desdobramentos, estavam no centro das discussões. Da sobrinha da Gretchen ao aumento dos salários dos vereadores, as mais diversas polêmicas geradas pelos fatos e opiniões publicadas foram discutidas. O jornalismo foi debatido em seus detalhes.
O diretor-executivo do GCN, jornalista Corrêa Neves Júnior, abriu a reunião destacando o grande volume de assuntos levantados pelos conselheiros. “Este é um termômetro importante para nós, porque vocês são os representantes dos leitores”, disse.
O primeiro assunto a levantar intensa discussão foi a cobertura do caso de estupro de uma dona de casa de 38 anos, acontecido no dia 26 de agosto em Ribeirão Corrente. Um ladrão entrou na residência da família e, segundo a mulher, foi em direção à filha dela, de 10 anos. Para proteger a criança, a mãe se colocou no lugar da filha e foi estuprada. Três dias depois a polícia prendeu o suspeito, um desempregado de 19 anos, que confessou o crime de roubo. Sobre o estupro, disse que não aconteceu, apesar de assumir a relação. O desocupado alegou que a vítima se “ofereceu” a ele. Para noticiar a prisão, o Comércio estampou a manchete: “Rapaz de 19 anos confessa assalto, mas nega estupro: ‘Ela se ofereceu’”. Para o conselheiro Éder Silveira Brazão, o título da capa do jornal foi infeliz. “Deu voz apenas à versão do bandido”, foi a sensação que a manchete lhe causou. “Colocava em dúvida o que ela (a vítima) havia falado”, diss Renato Centeno, também conselheiro. A editora-chefe Joelma Ospedal se surpreendeu com a leitura feita pelos membros do Conselho. “É estranha a diferença de sensação. Para nós, foi tão absurdo e descabido o que ele disse, que manchetamos com a frase. Não significa que funcione como defesa para ele”. Os dois conselheiros chegaram a levantar a hipótese de que o jornal não deveria ter ouvido o suspeito. Júnior rebateu a suposição veementemente. “Até um facínora tem direito a dar sua versão. Não nos cabe fazer essa censura”, disse
Outro assunto que dominou a caixa de e-mails dos conselheiros foi a cobertura das votações na Câmara para aprovação de aumento dos salários do prefeito, vice, secretários e dos próprios vereadores, além do aumento no número de vagas na casa. “O posicionamento do jornal encanta”, disse a conselheira Mariza de Lourdes Barbosa Garcia. Dois conselheiros, Brazão e Gabriel Guagneli Fernandes, participaram de uma campanha via internet contra o pacote de aumentos. Eles também fizeram coro via web a manifestações feitas na Câmara contra o aumento no número de cadeiras na Câmara e a concessão de férias para vereadores em julho. Com o plenário lotado de manifestantes, as propostas foram recusadas. Os salários dos vereadores foram aumentados, mas Sidnei Rocha (PSDB) vetou o reajuste salarial para o primeiro escalão do Executivo, o que também foi consi- derado uma vitória. “A manifestação só teve sucesso porque o jornal cobriu todas as etapas das votações”, disse Gabriel.
Presenças
Os conselheiros Cícero de Oliveira, Éder Silveira Brazão, Gabriel Guagneli Fernandes, Iraci Procópio Bortolato Pereira, Juliana Franco de Souza, Marina Souza Oliveira, Mariza de Lourdes Barbosa Garcia, Mateus Menezes do Nascimento, Nelson da Rocha Neves, Renato Centeno e Rosana Aparecida David Prado foram recebidos pelo diretor executivo do GCN, Côrrea Neves Júnior; pela presidente do Conselho Consultivo, Sonia Machiavelli; pela editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal; pelo diretor artístico da Rádio Difusora, Everton Lima; pelo editor de Opinião e gestor de Relações Corporativas, Luiz Neto; e pelo diretor de Pessoas do GCN, Israel Gomes. A conselheira Rita de Cássia Rangel Vilela Souza não participou da reunião.
Entrevista polêmica
A Entrevista de Domingo com a atriz pornô Carol Miranda, sobrinha da cantora Gretchen, foi um desperdício de espaço para a maioria dos conselheiros. Júnior concordou que a personagem não merecia tamanho destaque, “não porque é atriz pornô, mas porque não tinha nenhuma boa história para contar”. Joelma, que decidiu pela publicação da entrevista, reiterou que discorda dessa opinião e lembrou que foi uma das entrevistas de domingo mais lidas na web. “O assunto desperta interesse e foi abordado da maneira correta. É válido”, disse.
O sequestro
Júnior narrou aos conselheiros as dificuldades para reportar um caso quando está em total sigilo. O sequestro da empresária francana no início deste mês é um exemplo. O diretor executivo do GCN explicou que a função do jornalismo é informar e, que ao se deparar com a notícia, o repórter tem de trazê-la a público, respeitando sempre os limites da ética e da segurança do personagem. Disse que neste caso, noticiado apenas pelos veículos do GCN, todos os cuidados foram tomados visando a segurança da vítima e de seus familiares, antes da publicação da matéria.
Leporace
O conselheiro Nelson da Rocha Neves, que também é membro da Comdeico (Comissão Mista em Defesa dos Interesses da Comunidade) do Leporace, disse que a publicação da notícia de suspensão da obra de vitalização das lojinhas prejudicou co-merciantes. Júnior reiterou mais uma vez que nenhuma notícia é publicada com o intuito de preju dicar ou favorecer. O objetivo é sempre informar e propor a reflexão e discussão.