10 de julho de 2026

Restos mortais de pintor são trazidos de São Paulo para Franca


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PEDIDO REALIZADO - Os filhos Agostinho, Eunice e Roberto Ferrante junto dos restos mortais dos pais no Cemitério da Saudade: em caixas separadas, corpos foram sepultados ontem no jazigo perpétuo da família em Franca

Os restos mortais de um ilustre francano foram trazidos para sua terra natal. Os corpos do artista plástico Agostinho Ferrante e de sua mulher, Leonor Reis Ferrante, foram transladados de São Paulo para o Cemitério da Saudade, no Centro. O casal estava enterrado na capital do Estado. A transladação foi para atender um pedido do pintor, que sonhava retornar a Franca após sua morte. Eles foram acomodados no jazigo perpétuo da família Ferrante.

Uma cerimônia ecumênica foi preparada na tarde de ontem para receber as ossadas. Cerca de 15 pessoas, entre familiares e amigos, acompanharam a bênção dada pelo padre Anderson Martins Barcelos, da Paróquia São Sebastião, por volta das 14h. Logo após, as caixas com os restos mortais do casal foram colocadas na gaveta superior esquerda do jazigo. No topo da sepultura, foi colocada uma placa especial com os nomes de Agostinho e Leonor, além de imagens de Jesus Cristo e uma aquarela, marcas da carreira do francano.

Os restos mortais foram transportados de carro, por três filhos de Agostinho. O músico Agostinho Reis Ferrante, 57, o designer Roberto Ferrante, 51, e a bancária aposentada Eunice Ferrante, 65, moradores nas cidades de Cuiabá (MT), Rio Verde (GO) e São Paulo, respectivamente, que se reuniram e cuidaram dos preparativos. As negociações com uma prima, responsável pelo jazigo, começaram em novembro. A sepultura abriga os avós do artista plástico e outros familiares.

Agostinho, que nasceu na Vila Monteiro, e também passou por casas no bairro Frederico Moura e na Avenida Major Nicácio, foi morar na capital para fazer trabalhos com um amigo na década de 70. Lá viveu com sua mulher e cinco filhos. Leonor foi a primeira a falecer, há 24 anos, depois de complicações geradas pelo uso de um remédio com cortisona. Agostinho faleceu em 1994, na cidade de Campinas, quando fazia uma visita a familiares.

Em seu leito de morte, Agostinho pediu a filha para que não ficasse enterrado em São Paulo. Quase 17 anos depois, o sonho do pai foi realizado por Eunice. O processo não foi muito caro. Segundo a filha, a exumação dos restos mortais, feita na capital, custou aproximadamente R$ 500. Mas para a filha do artista, o pior foi a burocracia. “Tudo em São Paulo é difícil. Você vai em um órgão público, vai no outro. Tem uma taxa aqui, uma taxa lá. Foi muito difícil (...) Ele faleceu em Campinas e falou para mim antes de falecer que queria voltar para Franca. Para nós, é o desejo dele realizado.”