10 de julho de 2026

S. Casa nega realização de exames a nove cidades


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SINAL DE ALERTA - Fachada da Santa Casa: direção diz que novos cortes podem acontecer e atingir o Hospital do Câncer

A crise na Santa Casa de Franca parece não ter fim. De acordo com o presidente do hospital, Luiz Aurélio Prior, novos cortes em atendimentos podem surgir e afetar até o Hospital do Câncer, que atualmente atende um total de 1.500 pacientes. Nesta semana, a Santa Casa deixou de receber material para exames laboratoriais de nove cidades da região e devolveu 4 mil amostras de sangue, urina e fezes. A decisão pegou de surpresa e revoltou os representantes dos municípios.

Segundo Prior, o hospital passa por um momento de adequação dos serviços prestados, pois vários atendimentos estão excedendo os números previstos pelo contrato assinado com o governo de São Paulo. No caso dos exames, a cota de aproximadamente 20 mil procedimentos por mês foi atingida no último dia 18.

O Comércio entrou em contato com as secretarias de Saúde de Cristais Paulista, Patrocínio Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente e Itirapuã. Em todas, a preocupação e a revolta eram evidentes. Segundo os representantes municipais, a DRS VIII (Diretório Regional de Saúde da região de Franca) não comunicou que os exames seriam cortados. “Nós só ficamos sabendo na terça-feira, quando eu mandei o sangue e a Santa Casa mandou devolver”, disse Gabriella de Freitas Gomes, secretária de Saúde de Cristais. Dos mais de 100 exames colhidos na cidade, todos foram devolvidos. Dez deles, que eram de casos urgentes, tiveram que ser pagos pelo governo municipal. “Está todo mundo, literalmente, desesperado. Faz três meses que eu estou com um paciente mendigando uma cirurgia.”

Dos 20 mil exames realizados por mês pela Santa Casa, 1.200 são de Ribeirão Corrente. Etiene Alberto, secretário de Saúde da cidade, assumiu os 250 exames que seriam devolvidos e deixou a conta para o município. “A situação é esta: você liga para a Santa Casa, eles dizem que não estão mais recebendo o dinheiro e que não vão fazer nada.” Em Restinga também foram comprados dez exames urgentes e outros 12 esperam solução. Mas a secretária de Saúde, Carina Ferracioli Torres, prevê que a cidade não possa arcar com os gastos. “O Tribunal de Contas alega que temos que gastar 15% (com a Saúde). Já estamos gastando 22%, e não temos condições.”

De acordo com Prior, essa é a primeira vez que o Hospital enfrenta esse tipo de problema. Ele afirma que Franca compra os exames que excedem o limite e sugere que as outras cidades façam o mesmo. “Por que o município não vem e diz: vou ser atendido com mil exames, mas preciso de 1.500, eu vou lá na Santa Casa de Franca e compro os 500 exames?”

E os cortes não devem parar. Apesar da recente ajuda extra de R$ 5 milhões e do repasse mensal de R$ 273 mil feitos pelo Estado, o presidente da Santa Casa diz que os valores são insuficientes. As cirurgias eletivas - são 220 operações mensais garantidas por contrato - estão atendendo apenas casos de urgências e emergências. “Eles (Estado) deixaram claro que era necessário mais dinheiro, que a demanda está acima do contratado, está tudo muito claro. Só que eu (governo estadual) não tenho dinheiro para lhe mandar porque meu orçamento está estourado. Daqui a pouco vai bater (a crise) na hemodiálise, na oncologia, nos pacientes que fazem radioterapia, quimioterapia.”