O cérebro humano armazena uma enorme quantidade de imagens. São formadas nele por meio da visualização de fatos, objetos, cenas ou palavras e também pela audição. A palavra é mais capaz na criação da realidade e ainda consegue despertar a imaginação. No entanto, tem ficado para trás ultimamente, pelo motivo de seu processamento ser mais trabalhoso.
Por outro lado, a imagem chega mais fácil ao cérebro. Só que a facilidade se torna nociva para o ato de pensar. Arnaldo Antunes, ex-integrante do conjunto Titãs, sacou isso e faz tempo. Dois versos da música Televisão demonstram de forma clara a constatação: ‘A televisão me deixou burro muito burro demais/ Agora todas as coisas que eu penso me parecem iguais’.
A massificação da forma de pensar do telespectador pode ser notada na triste conclusão destes outros versos da canção: ‘A mãe diz prá eu fazer alguma coisa mas eu não faço nada/ Fala pra mãe que eu nunca li um livro’. Fica patente na letra da música a associação do ato de ler com a possível capacidade para se exercer alguma atividade posteriormente.
Depois da televisão, outra comprovação da falta de leitura está também no comportamento atual da maior parte dos espectadores. Cinema, hoje em dia, virou local de jovens que não leem. Basta dar uma olhada na seção de filmes deste jornal. Dos sete filmes em exibição nesta semana nos cinemas de Franca, apenas um deles é nacional. Os outros seis são internacionais.
Pelo anúncio dos filmes, fica-se sabendo que as seis películas estrangeiras foram dubladas para o português. Esse fato ocorre pelo motivo de a maior parte de espectadores só ir ao cinema se não houver legendas traduzindo a fala dos atores. O público atual de cinema não consegue ler aquilo que está ouvindo em outra língua. Daí, a preferência pelas dublagens.
A falta de legendas em filmes internacionais tem afastado o espectador mais exigente dos cinemas. Além desse inconveniente, o excesso de barulho não deixa ninguém prestar atenção nos diálogos. Como se sabe, a plateia das salas de espetáculos migrou para outra faixa etária. Os cinemas são frequentados basicamente pelos jovens.
Provavelmente, devido à falta do hábito de ler, crianças e adolescentes fazem de tudo nas salas de projeção. Andam sem parar, comem pipoca, bebem refrigerante, chupam balas, mascam chicletes, falam, gritam e só de vez em quando dão uma olhada na tela. Em meio a tanta balbúrdia, quem é que vai conseguir entender a história ou a mensagem do filme?
Mesmo a leitura de imagens demandaria certa concentração por parte do espectador. Coisa que não acontece mais nos cinemas. Parece que a moçada voltou de vez à era do cinema mudo. As cenas dos filmes são olhadas apenas em alguns momentos eróticos ou que apresentam humorismo.
No mais, tudo não passa de um espetáculo interativo entre o próprio público.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br