08 de julho de 2026

A salvação vem de Deus


| Tempo de leitura: 4 min

Com a graça de Deus estamos iniciando um novo dia, o domingo, dia dedicado ao Senhor. Como o Senhor é bom, misericordioso celebramos este dia na oração, no lazer, no encontro entre irmãos e amigos convivendo com a família

Aqueles que participarem da celebração da missa irão escutar, por meio da Palavra de Deus, que a história da humanidade está nas mãos de Deus. A história da humanidade é história de salvação. Hoje a Palavra de Deus nos ensina a viver com retidão. Todos os dias recebemos notícias que muitas pessoas que tem poder, abusam, usando mal o dinheiro público, se apropriando daquilo que não lhes pertence, desviando, dos cofres públicos, aquilo que foi destinado a dar condições de vida às pessoas. Muitas pessoas sonegam impostos, muitos tem o costume de conservar aquilo que é chamado de “caixa dois” e tantas outras coisas que não são corretas. Deus ilumina a vida cristã nos ensinando pela sua Palavra. Vejamos as orientações de Deus.

Primeira leitura:
Profeta Isaías 45

A situação dos israelitas é muito triste: estão no domínio da Babilônia. No horizonte surge um novo astro: Ciro, o rei das pessoas, o excelente comandante, o político sábio e inteligente. Com uma série de brilhantes campanhas, um a um, conquista todos os impérios do Oriente. Ao tomar o poder emana um decreto no qual se apresenta ao mundo como o salvador, o libertador dos oprimidos.
O profeta esclarece que tudo que está acontecendo não se tratava de sorte ou coincidência. Ele ensina que Deus é sumamente fiel e ama os filhos de Israel; ele os tirou da escravidão do Egito, levou-os para a terra prometida e para lá os faz retornar. Ciro não passa de um instrumento de Deus, para executar uma tarefa.
O texto bíblico vem nos ensinar que nenhuma autoridade humana é absoluta: há um único Deus e tudo está submetido a ele e ao seu plano. Nada nem ninguém podem impedir a realização do projeto divino. O homem pode apenas escolher entre colaborar ou não com Deus. Todas as vezes que alguém tentou impedir que o projeto divino se realize, Deus é suficientemente criativo para fazer do mal fazer um bem.

Segunda leitura:
1ª Carta aos Tessalonicenses, 1

A cidade de Tessalônica era pagã e, entre seus habitantes, haviam alguns cristãos. O apóstolo sempre se lembra da ação da fé dos Tessalonicenses. A fé é um modo de viver, é a vida em ação colaborando com Deus. A fé é mais que um sentimento. É uma tarefa, é um ofício, um trabalho, uma missão. Mesmo sabendo que o plano de Deus acontece independentemente da fé do ser humano, àqueles que vivem a fé é dada a chance de tornar esse plano um objetivo da sua vida.

Evangelho: Mateus 22.
O homem não vive sozinho, faz parte de uma sociedade. O trecho do evangelho vai responder a uma pergunta que sempre fazemos ou ouvimos de outros: a religião tem algo a ver com a organização da vida social e política? O debate começa através de uma pergunta bem maliciosa que fazem a Jesus: é permitido ou não pagar o imposto a César?
Jesus se dá conta da armadilha e pede que lhe seja mostrada uma moeda. Ele a observa e depois pergunta: “de quem é esta imagem?” Eles respondem: “de César”. Jesus conclui: “dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Interpretações
Sobre esta frase foram dadas várias interpretações. O significado daquela frase é bem profunda: se Jesus respondesse que o povo deveria pagar o imposto, perderia sua popularidade, seria acusado de trair sua nação e perderia qualquer pretensão messiânica. Caso respondesse que não deveria pagar o imposto, seria acusado de rebelião contra o império e seria preso. Fosse qual fosse a resposta, Jesus estaria em perigo. Mas ele ultrapassa a questão do lícito ou ilícito e conduz seus interlocutores a uma reflexão mais profunda: a autoridade política não pode tomar o lugar de Deus.
A autoridade política deve ser respeitada, porque está a serviço do bem comum, mas nunca terá o poder de exigir o que é devido somente a Deus, cuja imagem está impressa em nós. As palavras de Jesus são um chamado para o cristão de hoje. Convocam-no para estar muito atento, a vigiar o comportamento de qualquer autoridade, a estar de prontidão, se necessário, para contestar, para criticar, para colocar em discussão qualquer um que não respeite a imagem de Deus que está impressa no rosto de cada pessoa.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br