Amados e odiados. Assim é a vida dos mais de 390 mil professores que atuam no Estado de São Paulo. Os ‘mestres’ são incumbidos da difícil missão de transmitir conhecimento para milhões de jovens que por vezes estão interessados em outras coisas. Mas, conforme o tempo vai passando e com ele vem a experiência, chega um momento em que você é obrigado a admitir que, sem eles, você não conseguiria nem ler esta matéria ou fazer tantas outras tarefas. Mas e quando a pessoa que está ensinando tem quase a mesma idade de quem está aprendendo? Hoje, Dia dos professores, o Se Liga ouviu três jovens que enfrentam o desinteresse dos alunos, a falta de experiência e o péssimo salário somente pelo amor em ensinar.
Jenifer Lunara, 21, Camila Pimenta, 26, e Karla Kiss, 21, passaram juntas pela faculdade de matemática da Uni-Facef e as três atuam como professoras, de uma das matérias mais odiadas em escolas públicas. Jenifer trabalha na Escola Maria Pia Silva, no Parque do Horto e lá ensina crianças e adolescentes do 5º ano do ensino fundamental até o 3º ano do médio. Mas, o que a motivou a seguir o caminho das salas de aula? “Quando comecei (o curso de matemática) não queria ser professora. Na verdade, nem eu sei direito o que me fez começar a dar aula. Na época eu gostava muito de estudar e resolvi me arriscar”, conta. “E não me arrependo. Conhece aquela expressão ‘Ensinar é igual a drogas, muito viciante?’, então, foi isso”. Porém a paixão por ensinar não a protegeu de algumas situações embaraçosas. “Já chorei na sala de aula e pensei em desistir várias vezes. Mas no final eu acredito que compensa”, afirma. Outro obstáculo é a pouca diferença de idade entre ela e seus alunos. “No terceiro ano os alunos têm quase a mesma idade que eu e, as vezes, não consigo me impor e preciso chamar um supervisor para acalmar os ânimos quando a coisa fica mais feia”. Apesar de todos esses contras, o julgamento final da jovem continua o mesmo. “Gosto muito de ensinar e de conviver com os alunos que querem aprender. Tem momentos que são únicos dentro da profissão”.
O Se Liga fez uma pesquisa nas redes estadual, municipal e nas faculdades de Franca e descobriu que existem mais de 6 mil nomes de professores na ativa, porém, o número é bem maior, pois além dos que lecionam nestes locais existem os profissionais de escolas privadas e/ou específicas, como cursos de inglês, espanhol, capoeira e aeromodelismo. Os docentes da rede estadual ganham cerca de R$ 8 por aula (50 minutos). O valor varia de período para período e bairro para bairro. Quanto mais afastado do centro da cidade é o distrito, mais o professor ganha por aula. Um mestre pode lecionar 8 aulas diárias, chegando a mais de seis horas dentro de classes de aula. As jovens personagens desta matéria dão 6 aulas de segunda a sexta-feira. “Não é fácil”, resume Camila Cristina Pimenta, professora da Escola Estadual Sérgio Leça Teixeira, no bairro Aeroporto. “Mas quando você está lá e percebe que existem alunos realmente interessados em aprender, querendo que você ensine e prestando atenção em cada palavra sua, é realmente muito gratificante. Ver que um jovem está aprendendo algo é mágico”, afirma.
Já para Karla Kiss, que leciona do 5º ao 3º ano do ensino médio na Escola Antônio Fachada, no Leporace, existe muita diferença entre um período e outro e principalmente entre uma turma e outra. “Eu tenho dificuldade em conseguir controlar os mais jovens. Mas, me dou muito bem com a turma do 3º ano, pois eles falam a minha língua. E se a aula é no período noturno, como os alunos geralmente trabalham, a aula é muito mais tranquila. Todos que estão lá querem aprender, querem algo melhor da vida. Realmente eu gosto muito”, declara Karla.