09 de julho de 2026

Calvíce: aeroporto de piadas


| Tempo de leitura: 4 min
O ator Paulinho Vilhena é prova que a calvíce pode chegar

Os tempos mudaram. Atualmente as mulheres conquistaram seu espaço, realizando tarefas que antes eram destinadas somente a mãos masculinas. Mas também aconteceu o contrário. Os homens se tornaram mais vaidosos, chegando, em alguns casos extremos, a rivalizar com a mulher no número de cremes, loções, tratamentos, depilações, perfumes e outros inúmeros aparatos de beleza. É nesse universo de constante preocupação com a aparência que uma cena aterroriza mais de 50% dos marmanjos com idade entre 30 e 50 anos de idade: acordar e ver o travesseiro completamente inundado de fios de cabelo. Ou quando começam a aparecer as famosas e odiadas “entradas”.

É nesse momento que o temido e odiado fantasma da calvície começa a assombrar milhares de homens (e algumas mulheres) ao redor do planeta. Prepare o seu aeroporto de mosquito, pois hoje o Se Liga irá aterrissar com várias respostas para que você entenda melhor as carecas que possam o cercar.

Primeiro, uma noção básica sobre o inimigo. “A calvície (alopecia familiar) masculina é um processo de miniaturização, afinamento e queda de cabelos que pode começar em qualquer idade, até mesmo na adolescência - geralmente quando algum parente próximo, como pai, avôs, tios ou irmãos, tem história de calvície”, afirma a dermatologista Rita Sampaio Silvestre Moscardini.

“Os pelos da região frontal vão sofrendo uma diminuição em número e espessura e sendo substituídos gradativamente por outros cada vez mais finos, fracos, despigmentados e curtos. O couro cabeludo se torna mais visível e a fronte mais alargada pelo recuo da implantação dos pelos, formando as famosas ‘entradas’, que tanto aborrecem os homens. Às vezes, o processo de perda se expande pela região da coroa da cabeça e o indivíduo fica com o couro cabeludo exposto.”

Apesar de amplamente temida, existem pessoas que lutaram, mas se acomodaram. “Quando eu tinha 28 anos e meu cabelo começou a desaparecer muito depressa, eu fiquei completamente apavorado. Agora com 46, eu já aceito as gozações. Não é um bicho de sete cabeças”, diz o analista de sistemas Alexandre da Silva.

Mas também existem aqueles que não se curvaram à genética e deram um jeito de ficar com as madeixas no lugar. “Eu fiz o tratamento normal, aquele com finasterida (medicamento), mas como ele só evita que mais cabelo caia, eu optei por fazer um implante”, revela o empresário Guilherme Diaz.

E para acabar com outras dúvidas e algumas lendas, confira o quadro, criado com a ajuda da dermatologista Rita Moscardini.


Por dentro da calvície

Tratamento
O tratamento mais comum da calvície inclui dois medicamentos principais: finasterida oral, que é uma droga que interfere na conversão da testoterona em dihidrotestoterona no couro cabeludo (o hormônio responsável pela queda de cabelos familiar no homem) e o minoxidil tópico em solução alcoólica de 3% a 5% que melhora a irrigação dos pelos. Nenhum deles faz o cabelo voltar a crescer, mas impede que a calvície aumente.

Finasterida e a libido
O finasterida tem fama de diminuir a libido, mas isso não acontece pois a dosagem usada no tratamento da calvície é bem pequena (1 mg por dia). O finasterida diminui a libido quando utilizado para tratar a hipertrofia da próstata (dose de 5 mg dia).

Boné, chapéu e capacete
É recomendável evitar bonés, chapéus, capacete ou qualquer acessório que comprima o couro cabeludo e diminua a irrigação, pois isso agrava o quadro de calvície.

Stress
O stress está associado à queda de cabelo, mas não à calvície genética. Pessoas estressadas tendem a ter fios mais finos e quebradiços.

Chapinha e secador
Chapinhas e secador não causam queda de cabelos. Podem quebrar os fios por conta da alta temperatura, o que é diferente da calvície.

Xampus antiqueda
Existem diversos destes produtos nas prateleiras. Porém, eles só funcionam quando a queda é resultado da quebra e não da calvície genética.

Cabelo e as estações
No outono o cabelo cai mais e no verão nasce mais. Isso se deve a sensores de luminosidade que existem na pele. No verão, estímulos são enviados ao cérebro que força o crescimento dos cabelos para proteger a cabeça. No outono, quando os dias são mais curtos, acontece o contrário.

Sinais
Não existe um sinal claro para detectar a calvície. Deve-se prestar atenção à queda excessiva de cabelo, mas, cuidado para não se precipitar pois diversos fatores podem aumentar a quebra dos fios. Atenção às “entradas” pois elas são áreas onde antigamente existia cabelo e o crescimento das mesmas pode indicar que chegou a hora de você ir se acostumando a milhões de piadas.